Alguém além do território pernambucano pode olhar para o resultado da eleição no Estado e perguntar: por que o PT reelegeu Humberto Costa o mais votado, passando Marília Arraes (PDT) e João, como cabeça de chapa, não foi eleito governador?
Porque simplesmente o PT traiu João. Humberto foi apoiado pela avassaladora máquina de prefeitos que receberam dinheiro a rodo do Estado para garantir uma votação de tal magnitude para tirar a desvantagem de Raquel no Recife e Região Metropolitana. Humberto foi apoiado, inclusive, pelo prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro.
Humberto, o mais votado, foi arrastado, portanto, pela mesma máquina que elegeu Raquel. O senador não transferiu votos para João. Nesta eleição, a máquina de Raquel subverteu uma ordem histórica: senadores eleitos numa chapa de um governador derrotado.
O PT é um partido traira, que vai pagar um preço caro pela traição. O próprio Lula ajudou Raquel, quando encheu seus cofres de dinheiro e quando veio ao ato em favor de João, no Recife Antigo, não bateu na governadora, diferente do seu comportamento no Ceará e na Bahia.
Mas o seu partido sai como o maior derrotado. Só elegeu três federais em Pernambuco, seis senadores no País, perdeu para o PL na Câmara dos Deputados, que passa a ter a maior bancada. Históricos do partido receberam um não do eleitor, como José Dirceu, em São Paulo, e Gleisi Hoffman, no Paraná.
Se Lula perder no segundo turno, o PT encerra um ciclo e pode até desaparecer.
Por Magno Martins – jornalista