A pesquisa do Instituto Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira (1º) traz um elemento que tende a movimentar o tabuleiro da sucessão presidencial de 2026: a redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cenários de segundo turno contra nomes que representam campos políticos distintos da oposição.
Embora o petista ainda apareça à frente de adversários como Flávio Bolsonaro, Renan Santos e Aécio Neves, os números mostram que candidatos como Ronaldo Caiado e Romeu Zema já conseguem estabelecer uma disputa mais equilibrada. Em ambos os casos, a margem de erro de dois pontos percentuais transforma a corrida em um cenário de competitividade, especialmente porque Lula segue ocupando a posição de principal referência eleitoral do campo governista.
O levantamento reforça que a disputa de 2026 continua aberta e sujeita a mudanças relevantes ao longo dos próximos meses.
O dado mais significativo da pesquisa é justamente o desempenho de Caiado e Zema. O governador de Goiás aparece empatado com Lula, ambos registrando 43% das intenções de voto em um eventual segundo turno. Já o governador de Minas Gerais surge com 40%, contra 43% do presidente, configurando empate técnico.
O resultado evidencia que lideranças estaduais com forte projeção administrativa podem ocupar um espaço que, até pouco tempo atrás, parecia concentrado entre o lulismo e o bolsonarismo. Além disso, os números indicam que parte do eleitorado busca alternativas que consigam dialogar com setores moderados, sem necessariamente reproduzir a polarização que marcou as últimas disputas presidenciais. A consolidação dessas candidaturas, porém, dependerá da capacidade de ampliar conhecimento nacional e construir alianças robustas.
Por outro lado, Lula continua demonstrando força eleitoral expressiva. Contra Flávio Bolsonaro, o presidente vence por cinco pontos percentuais, mantendo vantagem mesmo diante de um sobrenome com forte identificação junto ao eleitorado conservador. O desempenho diante de Renan Santos e Aécio Neves é ainda mais confortável, com diferenças que ultrapassam a margem de erro e revelam dificuldades desses potenciais adversários para alcançar competitividade nacional.
Esses resultados mostram que o presidente preserva uma base eleitoral consistente, mesmo enfrentando desgastes naturais de governo e um cenário econômico que seguirá sendo determinante para a avaliação popular nos próximos anos. A presença de percentuais relativamente elevados de votos brancos, nulos e indecisos também sugere que existe um contingente relevante de eleitores ainda em processo de definição.
A menos de quatro meses do pleito e ainda distante do período oficial de campanha, a principal conclusão do levantamento é que o quadro eleitoral permanece em formação. Lula segue como o nome a ser batido e demonstra resiliência política, mas a pesquisa aponta que a oposição possui caminhos viáveis para construir uma disputa competitiva, especialmente por meio de lideranças com perfil de gestão e alcance regional consolidado.
Ao mesmo tempo, os números reforçam que nenhuma candidatura alternativa conseguiu, até agora, assumir de forma definitiva o papel de principal desafiante ao presidente. Com margem de erro de dois pontos percentuais, 2 mil entrevistados ouvidos e registro no TSE sob o protocolo BR-05864/2026, o levantamento oferece mais um retrato de um cenário que ainda está longe de ser definitivo, mas que já revela tendências importantes para a corrida presidencial.
Coluna do Edmar Lyra