O cenário de abandono social vivido pelos moradores da Vila Bom Sossego, comunidade anteriormente conhecida como Invasão dos Palmares, ganhou voz na noite da última quinta-feira (17), durante um encontro marcado por relatos emocionantes e cobranças por direitos básicos. Mais de 300 pessoas participaram da reunião, entre elas representantes das mais de 150 famílias que vivem na localidade sob constante insegurança e sem acesso a serviços públicos essenciais.
Estiveram presentes o jornalista e presidente do PL de Petrolina, Carlos Britto, e a presidente do PL Mulher no município, Lara Cavalcanti, que ouviram as principais demandas da população e acompanharam de perto a realidade enfrentada pela comunidade.
A falta de assistência na área da saúde foi apontada como uma das maiores dificuldades. Sem uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência, sem atendimento regular de agentes comunitários e com escassez de medicamentos, os moradores relatam enfrentar problemas de saúde sem qualquer suporte do poder público.
As dificuldades vão além da saúde. A comunidade também convive com acesso limitado à água potável, deficiência na iluminação pública, ausência de saneamento básico e outras carências estruturais que agravam a vulnerabilidade social das famílias.
Medo da demolição e luta pela regularização
Além das privações diárias, o receio de perder o pouco que construíram faz parte da rotina dos moradores. A principal reivindicação da comunidade é a regularização da Associação de Moradores, considerada fundamental para fortalecer a organização local e buscar maior segurança jurídica diante das constantes ameaças de demolição.
“Nossa luta, neste momento, também é fortalecer nossa associação. Precisamos da documentação para que as máquinas da Prefeitura de Petrolina não voltem a derrubar nossos barracos e os nossos sonhos. Não temos um lar decente, mas isso é tudo o que possuímos”, desabafou Ana Maria, mãe solo de dois filhos.
O morador Antônio Vasconcelos também destacou que a ocupação nasceu da necessidade de moradia. “Essa é uma área verde abandonada pela prefeitura. Não estamos invadindo a terra de ninguém. Apenas queremos criar nossas famílias e oferecer um teto, mesmo que, por enquanto, seja de lona”, afirmou.
Durante o encontro, Lara Cavalcanti criticou a ausência de políticas públicas voltadas às famílias da comunidade, especialmente às mães de crianças atípicas. “É inadmissível que essas crianças estejam abandonadas e que essas mães enfrentem tantas dificuldades sem qualquer assistência. Esse é o retrato de um município que prioriza obras enquanto deixa as pessoas em segundo plano”, declarou.
Como encaminhamento prático, Carlos Britto informou que o departamento jurídico do Partido Liberal, representado pelo advogado Patrick Villeneuve, já iniciou os procedimentos para a elaboração da ata de criação e regularização da Associação de Moradores. A medida busca garantir maior segurança jurídica à comunidade e fortalecer a defesa dos direitos das famílias. “Esse é o primeiro passo para oferecer segurança a essas pessoas. Encontramos famílias vivendo sem assistência, sem proteção e, muitas vezes, sem alimentação digna”, afirmou Britto.
Ao encerrar o encontro, ele defendeu que o poder público amplie seu olhar para as comunidades mais vulneráveis. “O poder público precisa chegar até essas pessoas. Petrolina não pode continuar tratando seus cidadãos de forma desigual. Independentemente da condição social, todos merecem respeito, dignidade e os mesmos direitos”, concluiu.
Ascom Carlos Britto