*Professor Paulo José de Oliveira

Tentando ainda refletir sobre os atuais acontecimentos que estão eclodindo por todo o País e sendo indagado por onde ando por populares e por alguns membros da imprensa sobre minha posição com relação aos referidos eventos, passa um filme na minha cabeça, remetendo-me a grandes caminhadas e manifestações que participei pelas ruas de Juazeiro.
Por diversas vezes e por vários motivos, reivindicando a favor de causas mais do que justas para a época, a exemplo do “ Fora ACM”, “ Pela Meia Passagem”, “ Eleições diretas para a direção da Faculdade de Filosofia e Agronomia”, “ Fica Javyer”, ex-presidente da Une, “ Diretas Já”, passeatas e greves convocadas pela APLB, entre outras tantas manifestações de apelo nacional, estadual e local. Juazeiro sempre teve o espírito de combatividade, rejeitando qualquer tipo de jugo e despotismo praticado por qualquer mandatário.
A situação social e econômica do Brasil é preocupante, o crescimento econômico está muito abaixo do esperado, muito atrás dos países emergentes, a inflação volta a assustar demonstrando estar fora de controle, os juros estão subindo e o dólar disparado, tudo isso atingindo de forma muito contundente a vida do nosso povo que mais uma vez pagará pelo famigerado custo Brasil.
A classe política em nível nacional vem tentando responder e se aproximar do clamor popular, aprovando e agilizando votações de projetos de lei antes adormecidos nas gavetas mofentas do Congresso Nacional, o Judiciário segue o mesmo caminho decretando prisão de parlamentar corrupto. A força e a pressão do povo provoca a derrubada da PEC-37, que ameaçava retirar atribuições do Ministério Público de investigar e apurar denúncias contra políticos corruptos.
No dia seguinte de uma votação histórica na Câmara Federal, onde o Presidente bradava ao microfone, alertando aos deputados que a sessão estava sendo transmitida ao vivo para todo o Brasil e as galerias estavam lotadas, contrariando o sentimento nacional, a Câmara de Juazeiro realiza sorrateira e secretamente uma sessão para aprovar as contas do executivo, mais uma vez com parecer do TCM pela sua rejeição, indo mais uma vez na contramão da história.
Lembrei-me de uma música que fazia parte da trilha sonora das nossas caminhadas de protestos pelas ruas da nossa cidade. Lembrei-me do sindicalista Benitz, do advogado Maurício Amaral, de Josemário Barbosa, “ o Gordo”. Certamente Hugo, Paulo César, Fernando Dantas, Professor José Roberto, Valmir e o pessoal da praça, João da Costa, Márcio Jandir, Professor Tadeu Gomes, entre outros, também vão lembrar-se da música Notícias do Brasil, de Milton Nascimento, que diz em seus versos: ficar de frente para o mar, de costas pro Brasil, não vai fazer desse lugar um bom país.
O Legislativo juazeirense precisa estar em sintonia com os sons das ruas, deixar de olhar para o Paço e ouvir a canção que vem do povo. Há uma passagem bíblica que pode ajudar os nossos governantes a ficar alertas e pensar nas suas responsabilidade e diz assim: “Filho do homem, tu habitas no meio da casa rebelde, que tem olhos para ver e não vê, e tem ouvidos para ouvir e não ouve; porque eles são casa rebelde.Ezequiel 12:2.
Senhores, deixem de olhar para o próprio umbigo, levantem a cabeça e olhem para o povo que os elegeu.
*Professor Paulo José de Oliveira
Presidente do Psol- Juazeiro-Bahia