Por Rinaldo Remígio* –
Li em alguns blogs notícias sobre a reaproximação do grupo Bezerra Coelho com a família Bolsonaro. Entre comentários de surpresa, críticas e interpretações diversas, fiquei pensando: por que tanto espanto quando antigos aliados voltam a conversar?
Vejo esse movimento com naturalidade. A democracia tem dessas coisas: há momentos de concordância, outros de divergência e, também, oportunidades de reconstruir entendimentos. As circunstâncias mudam, as decisões são revistas e os caminhos podem se reencontrar.
Ao longo da vida, aprendi que uma discordância não precisa encerrar uma relação. Isso vale para as amizades, para o ambiente profissional e para a política. Podemos defender posições diferentes em determinado momento e, mais adiante, encontrar razões para voltar a caminhar juntos. O respeito permite que as portas do diálogo permaneçam abertas.
Por isso, não me indigno simplesmente porque um grupo político retoma uma aliança. Procuro compreender o que essa aproximação representa, quais compromissos estão sendo assumidos e de que maneira poderão beneficiar a população. É nesse ponto que deve estar a nossa atenção.
Também não penso que toda aliança, por si só, seja garantia de avanços. A população precisa ganhar com essas decisões, e esse ganho deve aparecer na vida cotidiana: no atendimento de saúde, na educação, na segurança, no emprego e nas oportunidades para quem deseja trabalhar e prosperar. Uma fotografia de lideranças reunidas registra um encontro; os resultados é que demonstram seu valor.
O eleitor tem todo o direito de questionar, cobrar explicações e avaliar a coerência de seus representantes. Esse acompanhamento fortalece a democracia. Podemos exercê-lo com firmeza, sem transformar cada mudança de posição em motivo de hostilidade.
Às vezes, tenho a impressão de que parte da sociedade exige dos políticos uma inimizade eterna. Se romperam, não poderiam mais conversar; se divergiram, estariam condenados a permanecer em lados opostos. Mas como construir soluções coletivas se o entendimento passa a ser tratado como defeito?
De minha parte, continuarei vendo com serenidade os reencontros da política, sem abrir mão de observar seus efeitos. Respeito quem pensa diferente e espero o mesmo respeito pela minha maneira de compreender esses movimentos.
Os mandatos passam, as alianças mudam e as lideranças se renovam. A população permanece, com suas necessidades e sua esperança de dias melhores. É a ela que os agentes públicos devem explicações, trabalho e resultados.
Que os caminhos políticos se reencontrem. E que, desse encontro, a população tenha razões concretas para seguir em frente com mais confiança.
*Professor universitário aposentado, administrador, contador e mestre em economia!