“Não será surpresa uma vitória de Raquel Lyra no 1º turno”, diz CIENTISTA POLÍTICO ao avaliar pesquisas

Os empates registrado na pesquisa Simplex divulgada nesta quarta-feira (08) para o Governo de Pernambuco reforça o cenário de disputa equilibrada entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB).

Apesar disso, a eleição pode ser definida ainda no primeiro turno, segundo avaliação do cientista político Adriano Oliveira. “Não será surpresa se a governadora Raquel Lyra vier ganhar no primeiro turno”, afirmou.

A análise considera principalmente os dados do Instituto Simplex, que mostram empate técnico no cenário estimulado: Raquel Lyra aparece com 42,6% das intenções de voto, enquanto João Campos tem 42,3%. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.

No cenário com menos candidatos, a governadora soma 44,8% contra 43,2% do adversário. Já no cenário espontâneo, ela lidera com 33,8%, frente a 28,5% de João Campos, mas com elevado índice de indecisos (32,7%).

O levantamento ouviu 1.067 eleitores em 139 municípios pernambucanos, por telefone, entre os dias 3 e 7 de abril. O nível de confiança é de 95% e o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é PE-04864/2026.

Segundo o Adriano Oliveira, os dados confirmam uma tendência já observada em pesquisas qualitativas: o avanço da governadora na percepção do eleitorado.“Os eleitores passaram a identificar a governadora como trabalhadora, dedicada. Esses sentimentos tendem a virar intenção de voto.”

Ele destaca que a aprovação da gestão é determinante para o cenário. “Governadores bem avaliados tendem a ser eleitos. Se a aprovação estiver entre 60% e 65%, ela é uma candidata pronta para vencer.”

Pesquisas mostram cenários distintos

Outro levantamento recente, do instituto Veritá, divulgado no último domingo (5), também aponta equilíbrio, mas com maior fragmentação. Nele, Raquel Lyra e João Campos aparecem com 15,6% cada, seguidos por Anderson Ferreira (PL) (12,1%) e Gilson Machado (Podemos) (10%).

A pesquisa ouviu 2.010 eleitores entre os dias 24 e 30 de março, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-04215/2026.

Para Adriano Oliveira, a diferença entre os levantamentos está ligada ao número de candidatos apresentados, o que dilui os percentuais.

“A pesquisa de intenção de voto diz pouco. Quando você lê a pesquisa acompanhada dos sentimentos do eleitor, ela fica mais clara.”

Já a pesquisa doInstituto Real Time Big Data, divulgada nesta quarta-feira (8), mostra João Campos em vantagem de votos, com possibilidade de vitória no primeiro turno.

No cenário estimulado, Campos aparece com 50% das intenções de votos, enquanto principal adversária dele, a governadora Raquel Lyra (PSD), apresenta 33%. Juntos, os dois pré- candidatos somam 83% dos votos computados pela pesquisa.

Disputa deve ser definida por fatores locais

A eleição em Pernambuco, segundo a análise, tende a ser marcada por uma lógica estadual, com menor influência da polarização nacional. “Essa eleição será estadualizada. O eleitor está rejeitando a polarização e vai olhar para o desempenho do governo.”

Nesse contexto, a associação direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ter impacto limitado, especialmente fora da Região Metropolitana.

A indefinição sobre o apoio de Lula em Pernambuco também é vista como estratégia. “É muito melhor para Lula ter uma governadora reeleita pedindo voto para ele no segundo turno do que uma governadora neutra.”

A leitura é de que o presidente deve evitar se posicionar diretamente em estados onde não há candidatura do PT.

Interior e estrutura podem ser decisivos

Além da aprovação, a governadora conta com vantagem estrutural, com base aliada na Assembleia Legislativa e apoio de lideranças regionais, como o grupo dos Coelho, tendo o ex-prefeito e presidente do União Brasil em Pernambuco, Miguel Coelho, como pré-candidato ao Senado e cotado para a chapa majoritária. “Candidato à reeleição chega com obra, com entrega e com estrutura. Isso faz diferença.”

Já João Campos mantém força na Região Metropolitana, mas enfrenta o desafio de ampliar sua presença no interior, considerado decisivo.

Cenário segue em aberto

Apesar dos sinais de crescimento de Raquel Lyra, o cenário ainda é indefinido. O empate técnico e o alto número de indecisos indicam espaço para mudanças ao longo da campanha.

“Devemos nos preparar para uma eleição que pode terminar com pequena margem no primeiro turno”, concluiu Adriano Oliveira.

A disputa, portanto, tende a ser acirrada, com peso da avaliação da gestão, da articulação política e da capacidade de mobilização no interior do estado. 

Jconline

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