Adeus, agências do Bradesco: banco encerra ciclo e fecha centenas de agências e unidades de atendimento: Protestos se espalharam pelo país

O volume representa quase 38% de todas as agências bancárias fechadas no Brasil no período, atingindo principalmente cidades que ainda dependem do atendimento presencial.

Protestos

No fim de 2025, em Campo Grande (MS), o Sindicato dos Bancários realizou manifestação em frente à agência localizada entre as avenidas

“Essas medidas geram um prejuízo muito grande para a sociedade. Muitos municípios estão com agências fechadas. Enquanto o Bradesco celebra lucros recordes, a realidade para os trabalhadores e clientes é de preocupação”, afirmou.

No Rio de Janeiro, atos na Avenida Rio Branco e na Rua Primeiro de Março atrasaram a abertura de três agências. O diretor do sindicato local, Leuver Ludolff, destacou o impacto das demissões no setor.

Apenas entre janeiro e junho de 2025, 2.500 bancários foram desligados em todo o país, sendo 293 somente no estado do Rio entre janeiro e outubro.

“Os idosos são os mais prejudicados, pois têm dificuldade de acessar as plataformas digitais”, ressaltou.

Digitalização acelera fechamento de unidades

O Bradesco, assim como outros bancos, tem justificado o enxugamento da rede física pelo avanço dos canais digitais. Dados da Febraban indicam que 7 em cada 10 transações bancárias foram feitas pelo celular em 2023, enquanto o Pix liderou as operações financeiras em 2024, com 63,8 bilhões de transações realizadas.

Apesar disso, entidades sindicais alertam que a migração acelerada para o ambiente digital deixa parte da população sem atendimento adequado.

Na Bahia, mais de 130 agências fecharam nos últimos cinco anos, obrigando moradores a percorrer até 50 quilômetros para realizar serviços bancários básicos. Um levantamento sindical aponta ainda que o Bradesco demitiu 2.466 funcionários entre janeiro e julho, uma média de 11,7 desligamentos por dia.

“Uma parcela significativa da população não consegue operar aplicativos bancários, seja por analfabetismo, idioma ou falta de acesso à internet”, afirma Ronaldo Ornelas, dirigente do Sindicato dos Bancários da Bahia.

Justiça começa a barrar cortes

Em alguns estados, a velocidade dos fechamentos levou à intervenção do Judiciário. No Maranhão, o Tribunal de Justiça (TJ-MA) suspendeu, em abril, o encerramento de 16 agências do Bradesco, após pedido do Procon estadual.

Na Bahia, sindicatos tentam decisões semelhantes. O impacto é considerado crítico, já que quase metade dos municípios baianos (47,72%) não conta com nenhuma agência bancária ativa, segundo dados recentes.

Preocupação com atendimento a públicos vulneráveis

A combinação entre fechamento de unidades e demissões tem levantado questionamentos sobre a capacidade do banco de atender grupos mais vulneráveis, como idosos, moradores de áreas rurais e pessoas sem acesso constante à internet.

Entidades sindicais afirmam que novas mobilizações devem ocorrer nos próximos dias. O objetivo é pressionar o Bradesco e outros grandes bancos a adotarem uma transição mais equilibrada para o modelo digital, sem abandonar completamente o atendimento presencial.

Enquanto isso, clientes seguem enfrentando filas maiores nas poucas agências restantes e maiores dificuldades para resolver demandas básicas fora do ambiente online

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