DENÚNCIA: Grilagem põe em perigo território do município de Juazeiro

Juazeiro pode perder território equivalente a capitais brasileiras e áreas de países desenvolvidos por supostas grilagens de terra: por que o silêncio das lideranças políticas locais?”

Juazeiro (BA) corre o risco concreto de ver uma extensão territorial comparável à de capitais brasileiras e cidades centrais de países desenvolvidos sair do controle público, sem debate, sem transparência e sem planejamento. Levantamentos indicam que 56.900 hectares de terras públicas encontram-se hoje em situação de conflito fundiário no município, o equivalente a 569 km² de território estratégico.

Essa dimensão territorial supera a área de capitais como Recife (PE), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR) e Cuiabá (MT), além de praticamente se igualar a Boa Vista (RR). No cenário internacional, corresponde a cerca de 77% do território de Singapura, aproxima-se da área urbana central de Tóquio (Japão), equivale à extensão de Madri (Espanha) e supera em mais de três vezes a área de Washington, D.C., capital dos Estados Unidos.

As áreas em disputa — estimadas em 26 mil hectares, 14 mil hectares, 15.400 hectares e 1.500 hectares — são identificadas como terras devolutas do Estado da Bahia, que, por definição constitucional, deveriam cumprir função social e atender ao interesse coletivo. No entanto, a ausência de destinação pública clara e de ações efetivas de proteção abre espaço para tentativas de apropriação privada e processos de grilagem, colocando em risco o patrimônio público.

O impacto dessa omissão vai além da questão fundiária. Trata-se de um território capaz de abrigar infraestrutura estratégica, projetos habitacionais, áreas produtivas, equipamentos públicos e até iniciativas logísticas estruturantes — como a implantação de um aeroporto próprio — fundamentais para o desenvolvimento econômico de Juazeiro e do Estado da Bahia.

Diante de números dessa magnitude, o silêncio das lideranças políticas locais, estaduais e federais deixa de ser apenas uma falha administrativa. Torna-se uma questão política central: por que um território do tamanho de capitais e cidades globais pode ser colocado em risco sem que a população seja chamada a participar de um debate público transparente?

Juazeiro não enfrenta um conflito pontual. Enfrenta a possibilidade real de perder, em silêncio, um território que define seu futuro.

 

Célia Regina Carvalho

Ex vice-presid

ente PT/BA

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