CANDIDATO DE BOLSONARO NO RIO AMEAÇA DAR ORDEM DE PRISÃO AO ADVERSÁRIO DURANTE DEBATE

Ele fez campanha com Flávio, filho de Bolsonaro

Aliado de Jair Bolsonaro (PSL) no Rio de Janeiro, o candidato ao governo Wilson Witzel (PSC) ameaçou dar ordem de prisão a Eduardo Paes (DEM), caso o adversário “diga mentiras” sobre ele durante debate. Os 2 candidatos disputam o 2º turno.

Segundo Wilson, “fake news” estão sendo compartilhadas nas redes sociais sobre ele e caso Paes decida falar algo referente a elas em debate, se tornará o “primeiro candidato a governador que vai ter voz de prisão ao vivo”. Para ele, as informações falsas estão sendo compartilhadas pelo demista.

“Você e o seu grupo estão colocando isso na internet. Eu não tenho outro adversário é só você. E você, saia do armário, tá? Mostre a sua cara e vá no debate falar essas mentiras que você vai ver as respostas. Agora cuidado, que o crime de injúria está sujeito a prisão em flagrante, viu? Dá uma estudadinha, converse com os seus advogados, porque se você falar mentira ao vivo eu vou te dar voz de prisão. Vai ser o primeiro candidato a governador que vai ter voz de prisão ao vivo num debate”, disse.

A chamada voz de prisão por cidadão comum é garantida no artigo 301 do Código de Processo Penal, contra qualquer indivíduo que estiver cometendo um crime. É válida apenas em casos criminais (não em qualquer irregularidade) e em flagrante. Segundo o Witzel, que foi juiz federal, o “crime de injúria” se inclui nesse caso.

As declarações foram feitas durante transmissão ao vivo em seu Facebook na noite desta 2ª feira (8.out.2018).

O candidato do PSC disse que o mesmo aviso havia sido feito a Anthony Garotinho (PRP), que foi barrado pelo TSE, e reforçou a ameaça a Paes.

“Eu avisei ao Garotinho que se ele fizesse isso eu ia dar voz de prisão a ele e nós íamos sair dali para a delegacia para lavrar o auto de prisão em flagrante. Evidente que se você não quiser se submeter, existe a lei 9.099, que é o termo circunstanciado. Mas é 1 aviso que eu te dou, cuidado com sua língua, cuidado que você sabe que a língua é o chicote do rabo”, disse Wilson Witzel em recado a Eduardo Paes.

Assista ao vídeo:

A fake news à qual Wilson Witzel se refere é a informação de que ele estava ao lado de deputados que quebraram placa com o nome da ex-vereadora Marielle Franco (PSL), assassinada em 14 de março. A Agência Lupa, que informou que a imagem é verdadeira.

Em nota, o candidato negou fazer política “com o assassinato”  da ex-vereadora e disse que não quebrou a placa com o nome dela.

Eis a íntegra da nota:

“Estou sendo acusado de estar fazendo política com o assassinato da Vereadora Marielle Franco e agindo de má fé em relação a sua memória. Porém, eu tenho um respeito por Marielle e apoio a busca pelos marginais que fizeram esta barbárie com a vereadora. Como ex-juiz, não admito que um caso não seja averiguado e que não haja a punição dos culpados. Além do caso da Marielle, infelizmente temos muitos outros que também ainda não foram resolvidos e que não podem ser esquecidos.

Na foto, junto com o Deputado Estadual, Rodrigo Amorim, onde a placa está quebrada, ocorreu a falta de interpretação em relação ao ocorrido. A placa foi posicionada de forma inadequada, sem permissão, e foi levantado a questão da depredação do patrimônio público, ou seja, ninguém pode colocar sem a determinação da lei. Bem como, nada justifica nenhum ato de vandalismo, o que não ocorreu na minha opinião.”

CANDIDATURA DE WILSON

Wilson Witzel é ex-juiz federal e deixou a magistratura no mesmo ano em que se filiou ao PSC. O candidato fez campanha junto a Flávio Bolsonaro (PSL), que foi o 1º colocado para senador pelo Estado do Rio de Janeiro.

De acordo com as pesquisas de intenção de voto, a corrida eleitoral pelo governo carioca se concentrava entre Paes, Romário e Anthony Garotinho. Com sua candidatura barrada pelo TSE no dia 27 de setembro, Garotinho declarou apoio a Romário no último sábado (6.out).

Nas últimas pesquisas, divulgadas no sábado (6), Eduardo Paes registrava 32% e 27% das intenções de voto na pesquisa Datafolha e Ibope, respectivamente. Romário estava em 2º lugar, com 20% na Datafolha e empatado com Wilson Witzel, com 17% na pesquisa Ibope. No Ibope, Witzel estava com 12% das intenções de voto.

No entanto, na eleição, o ex-juiz  disparou nos votos e foi ao 2º turno a frente, com 41,28% dos votos, contra 19,56% de Paes.

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