A licença de operação é a última a ser emitida e, em reunião em outubro, foi informado que estaria pronta até o fim deste ano. O Ministério Público Federal, então, reagiu e solicitou ao Ibama que acompanhasse o caso.
Esse eixo da transposição, o leste, foi inaugurado em março, em cerimônia com o presidente Michel Temer (PMDB). Dias depois, a disputa pela paternidade da obra levou os ex-presidentes petistas Lula e Dilma à cidade, para um ato político de entrega do projeto.

Meses depois, a autorização de operação não foi expedida. Antes dela, pelos trâmites comuns, são expedidas a licença prévia, que estabelece a viabilidade ambiental e os requisitos básicos ainda na fase preliminar da obra, a de instalação, permitindo a construção e impondo medidas de compensação.
A procuradora alega que o problema está no cumprimento dessa segunda etapa.
“É fato público e notório que na parcela da obra localizada na Paraíba, no eixo Leste, meta 3L, as condicionantes da Licença de Instalação n. 925/2013 não estão sendo cumpridas, notadamente a revitalização do leito do rio Paraíba, recuperação das margens erodidas, a recomposição da mata ciliar, bem como a conclusão do saneamento básico nos municípios e a implantação de mecanismos eficientes e transparentes de monitoramento da qualidade da água para o consumo humano”, afirma na recomendação ao Ibama.
O Ministério da Integração Nacional, responsável pela obra, não foi citado na recomendação e não vai se posicionar.

Hoje, cerca de um milhão de paraibanos são atendidos pelo eixo leste da transposição. Pernambuco, embora tenha a maior parte dos canais, tem apenas 35 mil beneficiários no Sertão, pela ausência de obras complementares.
Eixo norte
Há ainda o eixo norte, o maior e com mais atrasos no serviço. Nele, a água é captada em Cabrobó, no Sertão pernambucano, e levada ao Ceará, passando por Rio Grande do Norte e Paraíba. Esse trecho, porém, ficou com obras paradas por um ano, após atrasos, porque a construtora deixou a obra e a licitação foi envolvida em um imbróglio judicial.