*Eduardo Gomes de Andrade
Tamanho é o destempero do governo Dilma, que a gaiatice de um site de humor espalhou que Aleida March, viúva de Che Guevara, receberia uma pensão de R$ 9.800 do governo brasileiro. Essa falsa informação ganhou destaque não somente pela generosidade petista com a enlutada senhora, mas principalmente porque se encaixava na podridão que nenhuma varredura consegue esconder sob os tapetes palacianos em Brasília.
Quem acompanha o auxílio do Brasil a Cuba sabe que tudo acontece no macro e que nessa afetuosidade não haveria espaço para uma mísera aposentadoria que sequer se iguala ao que recebe o beneficiário da aposentadoria especial do Fundo de Assistência Parlamentar (FAP) da nossa Assembleia Legislativa, que faz a alegria mensal de mais de 100 felizardos ex-deputados e os herdeiros dos parlamentares estaduais que partiram desta para a melhor.
O Brasil que derramou US$ 682 milhões na construção do porto de Mariel na ilhota dos hermanos donos do Paredón, com dinheiro saído dos cofres do Banco do Brasil, para ser pago em 25 anos com garantia em pesos cubanos, não perderia tempo em aposentar dona Aleida.
Desfaço a intriga da aposentadoria da viúva, mantenho a crítica às pensões dos comensais do FAP (e de ex-governadores que recebem aposentadorias especiais) e anuncio que uma moça, a quem o esporte nacional muito deve, poderá receber pensão de R$ 4.390,24 do INSS.
Nossa Lais Souza sofreu um grave acidente em 27 de janeiro, em Salt Lake City, nos Estados Unidos, quando treinava esqui estilo livre, para disputar as Olímpiadas de Inverno em Sochi, na Rússia.
O acidente aconteceu quando a atleta integrava uma delegação olímpica da Brasil. O país oficial assim reagiu: em 2 de julho a Câmara dos Deputados aprovou uma pensão de R$ 4.390,24 para Lais. Pela força do parlamento bicameral a aprovação foi submetida ao Senado. Em 5 deste novembro a Comissão de Assuntos Sociais do Senado, ratificou o benefício, mas o projeto tem ainda um longo caminho de tramitação. Se receber todos os carimbos OK irá pra sanção da presidente Dilma, com direito a discurso meloso e lágrimas.
O Brasil chapa branca perdeu a referência moral, a postura ética e o respeito. Se esses predicados existissem não haveria espaço para o boato sobre a viúva de Che Guevara se sustentar nem para a vergonhosa tramitação do pedido de aposentadoria da ex-atleta, pois em todos os países sérios ela receberia seguro por invalidez e se aposentadoria automaticamente, sem depender da atuação de parlamentares e Dilma.
Pobre país que renega a objetividade no caso da ex-atleta, para garantir mamatas na atividade-meio. Pobre Mato Grosso das pensões especiais. Pobres portos brasileiros canibalizados por Mariel. Recupere-se Lais. É hora de reagir Brasil!
EDUARDO GOMES de Andrade é jornalista
eduardo@diariodecuiaba.com.br