
Preocupados com o colapso hídrico no Vale do São Francisco, os Presidentes dos Distritos de Maniçoba, Curaçá, Mandacaru, UPROPIC, Produtores de Tourão e Instituto da Fruta – BA- VSF enviaram na última quinta-feira (06), carta para o Presidente da Assembleia legislativa, Marcelo Nilo, com algumas sugestões para evitar o colapso.
Segundo eles, tais medidas precisam ser tomadas em caráter e urgência: Aquisição de equipamento de bombas flutuantes para bombeamento subsidiário das EB’s com devidos quadros de comando e subestações; realizar obras estruturantes nos canais de chamada que permitam plena captação do sistema de bombeamento das EB’s; suspender o plantio de novas áreas internas e externas nos perímetros irrigados; modernização do sistema de irrigação nos Perímetros de Curaçá, Maniçoba e Tourão; regulamentação do parágrafo 1º do art. 25 da lei 12.873 de 24/10/2013, referente a ampliação de 40 horas semanais do “horário reservado” e retirar da tarifa bandeira vermelha dos consumidores, cujo a energia se destina a irrigação de áreas localizadas na região do semiárido nordestino.
“Caso nenhuma medida for tomada em caráter de urgência já se prevê uma hecatombe, de inicio financeiro, depois com consequência no social, sendo necessário já se discutir renegociações de financiamentos, rescisões contratuais de trabalho, aumentando o desemprego, tudo em função da perca da safra, pois o produtor ficará sem condições de honrar com suas obrigações”, disse Presidente do Distrito de Irrigação de Curaçá, Edivaldo Serafim durante a sua participação no Programa Bastidores da Notícia na manhã de ontem (09).
No Vale do São Francisco, os empreendimentos de fruticultura estão distribuídos em três categorias: pequenos (com até 20 hectares) 94%; médios (acima de 20 a 50 hectares) 4%; grandes (acima de 50 hectares) 2%, onde se produz anualmente mais de um milhão de toneladas de frutas, são gerados nos seus 120 mil hectares irrigados 240.00 empregos direto no campo, essas culturas geram um faturamento de mais de 2 Bilhões de Reais anuais, sendo que 440 milhões são relativos às exportações de uva e manga, que contam com aproximadamente 11.000 ha e 36.000 ha implantados respectivamente, classificando o Vale como a maior região produtora dessas frutas do Brasil, além de outras culturas como goiaba, coco verde, melão, melancia, acerola, maracujá, banana, cebola e outras frutas.
Participando ativamente desse magnífico sistema produtivo, encontram-se os perímetros irrigados da CODEVASF – Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, que desempenham uma função estratégica dentro desse arranjo produtivo, tanto no sentido de produção, quanto no aspecto social, pois a grande maioria desses perímetros são explorados por pequenos produtores, sobretudo da agricultura familiar. Mas, que estão ameaçados de sucumbir em função da grave crise hídrica do lago de Sobradinho e a crise energética que afeta todo território brasileiro.