ROBERTO CARLOS: DAS RUAS DE JUAZEIRO AOS CAMINHOS DA BAHIA
Por Rinaldo Remígio*
Há histórias que merecem ser contadas porque nos lembram que a vida pode ganhar novos rumos pelas mãos de quem trabalha, persiste e acredita. A trajetória de Roberto Carlos, deputado estadual pela Bahia, tem essa marca: a de um homem que começou no comércio popular de Juazeiro e encontrou na convivência com as pessoas o caminho para a vida pública.
Antes da tribuna, veio a rua. Antes dos discursos, a conversa com o freguês. Antes do reconhecimento político, a luta cotidiana pelo sustento. Na condição de camelô, Roberto Carlos conheceu uma escola exigente, onde cada venda depende de disposição, confiança e capacidade de enfrentar um dia que nem sempre termina como se esperava.
Destacou-se como vendedor, aprendendo a conversar, negociar e perceber as necessidades de quem estava do outro lado do balcão. Quem vive do comércio sabe: conquistar um cliente exige mais do que oferecer uma mercadoria. É preciso construir credibilidade, cumprir a palavra e cultivar relações.
Natural de Uauá, foi em Juazeiro que consolidou sua caminhada profissional e política. Sua atuação à frente da Associação dos Pequenos Comerciantes do Mercado Municipal Joca de Souza Oliveira revela como a experiência individual ganhou dimensão coletiva: o trabalhador passou também a representar outros trabalhadores. Vieram os mandatos de vereador e, a partir de 2003, a atuação na Assembleia Legislativa da Bahia.
Sua história também passa pelos campos de futebol. Roberto Carlos foi jogador, dirigente e participou da trajetória do Juazeiro Social Clube, além de fundar a Sociedade Desportiva Juazeirense. Essa ligação com o esporte integra sua presença na vida da cidade e ajuda a compreender uma relação com Juazeiro que ultrapassa o calendário eleitoral.
Para uma cidade do interior, o futebol carrega muito mais do que a expectativa de um resultado. Leva o nome da terra para longe, movimenta conversas, aproxima gerações e oferece aos jovens a possibilidade de sonhar. Quem dedica parte da vida a esse universo participa também da construção da memória afetiva de sua comunidade.
Na política estadual, Roberto Carlos ampliou seu espaço e assumiu funções de liderança, integrando a Mesa Diretora e exercendo a vice-liderança da maioria. Sua trajetória parlamentar revela uma presença que se estendeu para além das origens juazeirenses, acompanhada por sucessivas renovações do mandato.
A projeção alcançada junto aos governos petistas, destacada por quem acompanha sua atuação, deve ser compreendida também pela responsabilidade que traz. Ter acesso, influência e capacidade de diálogo ganha sentido quando esses instrumentos ajudam a fazer chegar ao poder público as necessidades dos municípios e de sua população.
Conversando com meu colega de trabalho, Ícaro Cairé, tenho ouvido referências frequentes às boas ações do deputado. Ícaro destaca, sobretudo, sua disponibilidade: segundo ele, quem tem o contato de Roberto Carlos encontra abertura para ligar, conversar e apresentar uma demanda. Quando pode ajudar, procura fazê-lo sem demora; quando não tem condições, também dá uma resposta e esclarece os limites.
No relato de Ícaro, o que mais chama a atenção é a constância desse atendimento. Quase sempre há uma resposta, uma escuta, uma disposição para compreender o problema apresentado. E isso tem um valor enorme para quem procura um representante público, muitas vezes depois de encontrar tantas portas fechadas.
Esse testemunho me fez refletir sobre qualidades essenciais na política: empatia, atenção e disposição para servir. Nem toda demanda poderá ser resolvida, e ninguém deve prometer o que não pode cumprir. Entretanto, ouvir com respeito e responder com sinceridade são atitudes que preservam a dignidade de quem pede ajuda. O cidadão merece atenção tanto quando a resposta é positiva quanto quando há uma impossibilidade.
Na matéria publicada pelo Blog do Farnésio, que motivou esta reflexão, Roberto Carlos aproxima sua história da trajetória de Lula, ressaltando as origens humildes e a identificação com os trabalhadores. É a leitura que faz de sua própria caminhada: a experiência de quem conheceu dificuldades e encontrou na política uma possibilidade de representação.
Independentemente das preferências partidárias, reconhecer uma trajetória de trabalho é um exercício de respeito. Podemos ter escolhas distintas e, ainda assim, compreender o significado de uma vida construída com esforço. A convivência democrática também se fortalece quando conseguimos enxergar as pessoas para além das legendas.
Confesso que fiquei surpreso ao pesquisar sua trajetória e conhecer melhor seu currículo. A passagem pelo comércio popular, a formação em Geografia, a atuação no esporte e a experiência parlamentar revelaram uma caminhada mais ampla do que eu conhecia. Somadas ao testemunho de Ícaro Cairé, essas informações deram sentido e proximidade a esta homenagem.
Ao olhar para Roberto Carlos, vejo nessa passagem do comércio popular ao Parlamento uma história que merece registro. O camelô de Juazeiro tornou-se deputado, mas é justamente aquele começo que dá dimensão ao caminho percorrido.
Que sua caminhada continue sendo acompanhada pela lembrança das ruas, dos pequenos comerciantes e das pessoas que confiaram em sua representação. Que a disponibilidade para ouvir permaneça como parte de seu compromisso público, pois, por trás de cada ligação, pode existir uma família aflita, uma comunidade esperando providências ou alguém precisando ser acolhido.
Porque chegar longe tem ainda mais valor quando se guarda respeito por quem continua lutando no lugar de onde se partiu.
*Professor universitário aposentado, ex-presidente da FACAPE em Petrolina.