Apesar da oferta mais controlada da BRS vitória e da expectativa de retomada dos preços ao longo de agosto, agentes do Vale do São Francisco (PE/BA) não têm conseguido ajustes mais significativos para a variedade. Isso porque o avanço da oferta das brancas sem semente — em patamares mais altos do que o comum para o período, já que encontraram melhor sustentação — tem pressionado o mercado das negras.
Segundo agentes consultados pelo Hortifrúti/Cepea, historicamente, em meados de agosto costuma haver retomada dos preços da BRS vitória, quando parte das áreas podadas para o período já foi colhida e volta a haver melhor alinhamento entre oferta e demanda no mercado interno. No entanto, o mercado das brancas sem semente vem dificultando essa recuperação. Isso ocorre porque as variedades brancas acabam balizando os preços das demais — devido ao maior valor agregado que possuem — e, mesmo com o avanço dos volumes das brancas e a consequente redução em suas cotações, os valores dessa variedade seguem em patamares remuneradores, o que dificulta ainda mais a recuperação da negra.
No caso das brancas, de modo geral, observou-se grande amplitude de preços, principalmente entre as frutas embaladas Cat. 1 — reflexo do perfil de negociação e do tipo de cliente atendido. As empresas com maior participação e portfólio mais amplo no mercado de uvas do Vale têm conseguido manter os preços praticados nas últimas semanas. Já as demais têm feito ajustes conforme a demanda e o canal de escoamento, com cotações cedendo mais na comparação semanal.
Assim, nesta semana (10 a 14/08), a BRS vitória embalada Cat 1 foi negociada à média de R$ 8,00/kg (+3,3%), enquanto, para as brancas de mesmo perfil, o preço foi de R$ 12,40/kg, recuo de 9,25% em relação à semana anterior.
A perspectiva para a segunda quinzena de agosto é distinta para as duas variedades. Com o menor volume disponível da negra em comparação com as semanas anteriores, agentes esperam conseguir pequenos ajustes no período e não veem possibilidade de novos recuos, visto que os preços já estão próximos de — ou empatando com — os custos de produção. Mas, como a branca segue balizando os preços no mercado interno, avanços mais expressivos para a negra só devem ser possíveis a partir de setembro, quando a oferta no mercado doméstico deve ser menor. Já para as brancas, novos ajustes de preços são esperados ao longo de agosto, como forma de auxiliar no giro dos estoques, com possível sustentação apenas em setembro, à medida que avançam os volumes destinados às exportações.
Fonte: hfbrasil.org.br