Marília Arraes perde 19 pontos e deixa disputa pelo Senado completamente aberta

A nova pesquisa DataTrends para o Senado em Pernambuco apresenta uma mudança significativa na fotografia eleitoral e acende um sinal de alerta para Marília Arraes. Em maio, a ex-deputada chegou a registrar 49% das intenções de voto em um dos cenários. Agora, aparece com 30%. São 19 pontos a menos em apenas três meses. A liderança permanece, mas seria precipitado tratar sua situação como consolidada. Uma queda dessa magnitude antes mesmo do início efetivo da campanha mostra que existe espaço para uma mudança ainda maior no decorrer da disputa.

O movimento dos adversários ajuda a explicar por que a eleição ganhou competitividade. Humberto Costa, que tinha 24% no cenário de maio, aparece agora com 23%, praticamente estável. Já Mendonça Filho avançou: chegou a registrar 16% em um dos cenários anteriores e agora alcança 19%. Eduardo da Fonte também cresceu. No cenário em que aparecia com 11% em maio, agora chega a 17%, enquanto havia alcançado 16% em outro recorte daquele levantamento. Túlio Gadêlha, por sua vez, passou de 7% para 10%. Ou seja, enquanto Marília perdeu terreno, praticamente todos os principais concorrentes ganharam espaço.

O resultado é uma disputa que mudou de patamar. Humberto, Mendonça e Eduardo da Fonte estão separados por apenas seis pontos, deixando a segunda vaga completamente embolada. Mas o próprio primeiro lugar também merece atenção. Marília ainda lidera, mas sua vantagem sobre Humberto caiu de 25 pontos, no cenário de maio, para apenas sete agora. Se a campanha produzir novos movimentos semelhantes aos registrados nos últimos três meses, a liderança poderá deixar de ser confortável mais rapidamente do que parece.

Há ainda um componente que torna qualquer prognóstico prematuro: o elevado contingente de eleitores que não definiu seu voto. Em uma eleição para duas vagas, com 45% apontando nenhum, branco ou nulo e 53% em não sabe ou não respondeu, existe um universo enorme a ser disputado. É justamente nesse eleitorado que Marília terá de defender sua liderança e os demais candidatos poderão buscar crescimento.

A pesquisa, portanto, não deve ser lida apenas como uma fotografia de quem está na frente, mas como um retrato da velocidade dos movimentos. Marília continua liderando, mas caiu 19 pontos. Humberto praticamente estacionou, enquanto Mendonça, Eduardo e Túlio cresceram. Se essa tendência se repetir durante a campanha, a eleição para o Senado poderá ficar muito mais aberta, inclusive na disputa pela liderança. O cenário de hoje favorece Marília, mas os números mostram que não há nada resolvido.

Coluna do Edmar Lyra

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