A definição da vaga ao Senado na chapa encabeçada pela governadora Raquel Lyra representava um dos momentos mais delicados da construção política da federação União Progressista em Pernambuco. Durante semanas, o ambiente foi tomado por especulações sobre uma possível disputa interna sem consenso, alimentando a expectativa de que qualquer decisão deixaria sequelas e produziria fissuras difíceis de reparar.
Não eram poucos os que apostavam que a escolha do nome para a majoritária acabaria dividindo lideranças importantes e comprometendo a unidade necessária para uma campanha competitiva em 2026. O desfecho, no entanto, seguiu um caminho diferente daquele previsto pelos mais céticos.
Com a confirmação do deputado federal Eduardo da Fonte como candidato ao Senado, Miguel Coelho precisou adiar, ao menos neste momento, o projeto de disputar um cargo majoritário. A decisão, porém, foi acompanhada por uma construção política que permitiu preservar o protagonismo do ex-prefeito de Petrolina dentro da aliança.
Em entendimento conduzido pela governadora Raquel Lyra, Miguel aceitou disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, compondo uma estratégia conjunta com seu irmão, o deputado federal Fernando Filho. A solução evitou desgastes públicos e demonstrou que, quando existe disposição para o diálogo, é possível compatibilizar interesses individuais com um projeto político mais amplo.
O acordo também consolidou de forma definitiva a presença da federação União Progressista na chapa majoritária da coligação Pernambuco de Coração, fortalecendo o palanque governista para a disputa eleitoral. Mais do que definir um nome para o Senado, o entendimento simbolizou a capacidade das principais lideranças envolvidas de reconhecer o papel político de cada uma dentro da composição.
Em vez de uma disputa prolongada, prevaleceu a compreensão de que a construção coletiva poderia produzir resultados mais consistentes do que a insistência em projetos individuais. Em tempos de crescente polarização, esse tipo de solução tende a ser visto como um ativo importante para qualquer aliança que pretenda chegar competitiva às urnas.
No balanço final, todos os principais atores envolvidos saíram contemplados. Raquel Lyra assegurou a unidade da federação em torno de sua candidatura à reeleição, reforçando a imagem de liderança capaz de mediar interesses distintos e construir consensos. Eduardo da Fonte conquistou a oportunidade de disputar sua primeira eleição majoritária, coroando uma longa trajetória parlamentar.
Já Miguel Coelho preservou seu capital político ao manter protagonismo dentro da aliança e abrir caminho para disputar uma cadeira na Câmara Federal ao lado de Fernando Filho, fortalecendo ainda mais a influência do grupo político de Petrolina. Para aqueles que apostavam em rupturas entre Raquel Lyra, Eduardo da Fonte e Miguel Coelho, o resultado mostrou justamente o contrário: a política continua oferecendo espaço para entendimentos quando prevalecem o diálogo, a capacidade de negociação e as concessões recíprocas em torno de um objetivo comum.
Podemos com Eduardo – Além de receber o apoio de Miguel Coelho, Eduardo da Fonte recebeu também o apoio do Podemos para a sua candidatura ao Senado Federal. O encontro com Marcelo Gouveia e Ricardo Teobaldo selou o apoio da legenda ao postulante ao Senado.
Coluna do Edmar Lyra