Eleições 2026/BA: ACM Neto esconde nome do avô na campanha

Ex-prefeito de Salvador reduz carlismo em materiais de campanha para tentar furar a hegemonia petista

247 – Em uma tentativa estratégica de expandir sua base eleitoral e atrair eleitores simpatizantes do presidente Lula (PT) na Bahia, o candidato ao governo do estado ACM Neto (União Brasil) reduziu drasticamente a exposição da sigla que o conecta à história de seu avô, o ex-governador Antonio Carlos Magalhães. Em vez da tradicional marca carlista, seus materiais publicitários e conteúdos digitais têm enfatizado quase exclusivamente o nome “Neto”, relata o jornal O Globo.

O movimento ocorre em um cenário de alto acirramento político no estado. As pesquisas de intenção de voto apontam um empate técnico no topo da disputa entre o carlista e o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT). O principal desafio de ACM Neto é conter a continuidade do ciclo de vitórias do PT, que busca seu sexto mandato consecutivo à frente do Palácio de Ondina. Contudo, o peso expressivo do eleitorado lulista na região se impõe como um obstáculo central: no segundo turno da eleição presencial anterior, Lula conquistou 72% dos votos válidos no território baiano.

Para remodelar sua comunicação visual e narrativa política, a campanha do candidato contratou o marqueteiro João Santana, reconhecido por conduzir o marketing eleitoral das vitórias de Lula em 2006 e de Dilma Rousseff em 2010 e 2014. A contratação visa ressignificar a imagem do postulante, cuja trajetória nacional começou nos anos 2000, na Câmara dos Deputados.

A mudança de tom é visível nas peças de comunicação. O acrônimo ACM passou a ser exibido em fontes reduzidas no logotipo oficial da candidatura, acompanhado por tons de rosa, azul e branco. Nas redes sociais e convites de eventos, a sigla familiar frequentemente desaparece, dando lugar a expressões como “agenda de Neto” e à hashtag “#TôcomNeto”.

Análise feita pelo cientista político Cláudio André de Souza, professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), aponta que a tática reflete uma guinada em relação ao pleito estadual anterior. Em 2022, quando foi derrotado por Jerônimo Rodrigues no segundo turno (que terminou com o petista obtendo pouco mais de 52% dos votos), o ex-prefeito soteropolitano abriu seu guia eleitoral resgatando jingles históricos do carlismo.

Desta vez, há um recuo deliberado da herança do avô devido ao reconhecimento da forte influência de Lula na decisão do voto dos baianos. Essa atenuação da marca familiar ocorre simultaneamente à construção de uma coligação estruturada mais à direita na chapa majoritária, que conta com a inclusão do PL. A estratégia de atenuar o nome ACM e evidenciar o “Neto” já havia sido testada nos momentos finais da disputa de 2022, à medida que a corrida eleitoral se afunilava.

No campo programático, o candidato busca desestabilizar a pauta estadual e afastar a campanha da nacionalização do debate, visando atenuar a influência direta do presidente Lula sobre a disputa local. O foco das críticas tem se concentrado na gestão da segurança pública, explorando a deterioração dos indicadores do setor no estado como um ponto vulnerável do governo petista.

No plano das alianças nacionais, ACM Neto declarou apoio ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), para a corrida presencial, afastando a hipótese de palanque formal com Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. No entanto, sua chapa na Bahia abrigou o presidente estadual do PL, João Roma, como candidato ao Senado Federal. Um alinhamento entre as lideranças definiu que, caso haja um segundo turno na disputa pelo Palácio do Planalto contra Lula, os grupos poderão formalizar uma união regional.

Procurada pelo O Globo para se manifestar sobre as diretrizes do material gráfico e o reposicionamento de marca, a equipe de campanha de ACM Neto não apresentou comentários.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com