SEM CAMPOS, PSB AVALIA NOVO CANDIDATO EM PE. JARBAS DIZ QUE É “GOLPE SUJO”

Edição 247/Fotos: Divulgação/Agência Brasil/PSB:

A morte do ex-governador de Pernambuco e presidenciável pelo PSB, Eduardo Campos, abriu espaço para o questionamento quanto ao potencial do seu afilhado político, o ex-secretário da Câmara, que tem apenas 13% das intenções de voto, está bem atrás do senador Amando Monteiro Neto, que possui 47%da preferência do eleitorado, segundo pesquisa do Datafolha divulgada nesta sexta-feira (15).

Para preservar o espólio eleitoral de Campos o governador de Pernambuco, João Lyra Neto (PSB), e o candidato ao senado pela chapa socialista, o ex-ministro Fernando Bezerra Coelho, teriam conversado sobre a possibilidade de substituir o nome de Paulo Câmara por alguém mais conhecido pelo eleitor pernambucano. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) avaliou a possibilidade como “um golpe sujo” para atrapalhar a candidatura socialista.

A discussão teria Lyra e FBC teria acontecido em São Paulo, segundo divulgado pelo Blog do Noblat. Os socialistas teriam discutido os rumos da eleição pernambucana na noite desta sexta-feira enquanto esperavam a identificação e liberação dos corpos de Campos e dos quatro assessores, além dos dois membros da tripulação que faleceram no acidente aéreo da quarta-feira, em Santos, litoral paulista.

A campanha de Paulo Câmara dependia em muito da presença de Eduardo Campos. De perfil técnico, Câmara nunca disputou uma eleição e é desconhecido pela população. Segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 57% dos eleitores não sabem que ele era o escolhido por Campos para disputar o Governo do Estado. A situação também não melhor para Armando, já que 65% dos pernambucanos também não sabem que ele tem o apoio da presidente Dilma. A diferença, contudo, é que, ao contrário de Câmara, o petebista é conhecido em todas as regiões do Estado.

Esta razão bastou para que Campos intensificasse sua agenda em Pernambuco. Campos esteve ao lado do afilhado político nas últimas cinco semanas, aproveitando qualquer passagem sua pelo Nordeste para reforçar a campanha do correligionário. Outra aposta para alavancar a candidatura de Câmara estava no guia eleitoral de rádio e televisão, quando as imagens dos dois, lado a lado, seriam levadas para todas as regiões do Estado. Agora, sem Campos,os próximos rumos da campanha são uma incógnita e a possibilidade de uma mudança na chapa é real. Pelas regras definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a substituição de candidatos a cargos majoritários – sejam eles presidente da República, governador ou senado, por coligação ou partido político, deve ser feita até o prazo de 20 dias antes das eleições. No último pleito, em 2012, esta alteração poderia ser feita até a véspera da votação.

Tanto Lyra quanto FBC pleiteavam suceder Campos no Palácio do Campo das Princesas, mas foram preteridos nas suas aspirações. Coube a Lyra assumir o fim do mandato que era reservado a Campos, enquanto FBC ficou com a tarefa de enfrentar o deputado federal João Paulo (PT) na disputa pelo Senado. O ex-ministro, contudo, também está na rabeira nas pesquisas de intenção de voto e, assim como Câmara, também contava com a presença de Campos para alavanca a sua postulação. O ex-ministro negou qualquer possibilidade de uma alteração na chapa do PSB em Pernambuco. “O desejo de Eduardo será honrado. Nosso candidato ao governo é Paulo Câmara”, afirmou.

Ao tomar conhecimento da possibilidade de uma mudança radical na cabeça da chapa socialista, o senador Jarbas Vasconcelos – que reatou a aliança com Campos e o PSB nas últimas eleições municipais, em 2010 – classificou a possibilidade como “um golpe sujo” para atrapalhar a campanha socialista.  “Aqui é tentar fazer a campanha sem ele, sem errar, se tiver que usar a emoção, deve ser usada corretamente, racionalmente, e tocar as coisas, fazer as coisas. Tem que visitar o Estado, que tem mais de 180 municípios”, disse Jarbas em entrevista à imprensa.

A situação teria levado até ao envolvimento da viúva de Campos,a ex-primeira dama Renata Campos, no assunto. Considerada uma líder forte, ela teria marcado para a próxima segunda-feira (18), um dia após o funeral, uma reunião com a cúpula do PSB para pedir a continuidade do projeto de Eduardo em nível nacional e estadual,reforçando assim a candidatura de Paulo Câmara. Na segunda, Renata Campos completará 47 anos de idade.

Pernambuco 247 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com