A sucessão presidencial de 2026 começa a produzir um cenário que há alguns meses parecia improvável para o Palácio do Planalto. O presidente Lula continua liderando a corrida pelo quarto mandato, mas a vantagem sobre Flávio Bolsonaro diminuiu significativamente, transformando uma disputa que parecia relativamente confortável em uma eleição cada vez mais apertada.
Os números mais recentes da Quaest e do BTG/Nexus ajudam a dimensionar o problema. Mais do que fotografias isoladas, os levantamentos apontam na mesma direção: Flávio consolidou o eleitorado bolsonarista, cresceu e conseguiu reduzir a distância para Lula tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Na Quaest divulgada em agosto, Lula aparece com 38% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro. São sete pontos de diferença. Quando os dois são colocados frente a frente numa eventual segunda etapa, porém, a distância praticamente desaparece: Lula tem 43% e Flávio 40%, configurando empate técnico dentro da margem de erro.
O BTG/Nexus apresenta uma situação ainda mais delicada para o governo. Lula registra 41% no principal cenário de primeiro turno, enquanto Flávio alcança 37%. A distância é de apenas quatro pontos. No segundo turno, o quadro se transforma praticamente em um empate: 46% para Lula e 45% para Flávio Bolsonaro.
A comparação com as rodadas anteriores do próprio BTG/Nexus torna o movimento ainda mais significativo. No final de julho, Lula aparecia com 42%, contra 33% de Flávio, uma vantagem de nove pontos. Agora são 41% a 37%. Em poucas semanas, portanto, a diferença caiu de nove para quatro pontos.
No segundo turno, o movimento também merece atenção. Lula chegou a registrar 47% contra 43% de Flávio, quatro pontos de vantagem. Agora são 46% a 45%. A diferença ficou reduzida a apenas um ponto percentual.
É justamente essa trajetória, mais do que uma pesquisa específica, que deve preocupar o Planalto. Lula não deixou de ser competitivo e continua numericamente na liderança, mas perdeu aquilo que qualquer candidato à reeleição gostaria de preservar: uma margem confortável sobre o principal adversário.
Flávio, por sua vez, parece ter vencido a primeira etapa de sua candidatura. Herdou grande parte do eleitorado de Jair Bolsonaro, tornou-se o principal nome da oposição e começa a apresentar capacidade de disputar efetivamente a Presidência.
A eleição, evidentemente, ainda possui muito caminho pela frente. Campanha, televisão, debates, economia e fatos políticos poderão modificar substancialmente esse quadro. Mas pesquisas servem justamente para identificar movimentos.
E o movimento atual é bastante claro: Lula continua na frente, mas Flávio Bolsonaro está mais perto.
Para quem governa, essa talvez seja a informação mais preocupante. O Planalto não enfrenta mais apenas um adversário competitivo. Enfrenta um candidato que, pelos levantamentos recentes, conseguiu transformar uma vantagem presidencial confortável numa disputa que começa a adquirir características de voto a voto.
Convergência – A pesquisa Quaest reforça o cenário de equilíbrio já identificado pelo DataTrends na disputa pelo Governo da Bahia. No levantamento DataTrends, ACM Neto aparece com 43% contra 41% de Jerônimo Rodrigues no primeiro turno, diferença de apenas dois pontos; a Quaest registra 39% para ACM e 37% para Jerônimo, repetindo a mesma vantagem de dois pontos. No segundo turno, a proximidade também se mantém: o DataTrends aponta ACM Neto com 46% e Jerônimo Rodrigues com 43%, enquanto a Quaest registra 44% para ACM e 41% para Jerônimo. Os dois institutos, portanto, apresentam diferenças praticamente idênticas entre os principais adversários e convergem para um cenário de forte equilíbrio na sucessão estadual da Bahia.
Coluna do Edmar Lyra