Eleições 2026: Flávio Bolsonaro terá palanque em apenas três estados do Nordeste; saiba quais

Flávio Bolsonaro (PL) vai contar com os palanques de apenas três candidatos ao governo no Nordeste. O número representa menos da metade do que seu pai, Jair Bolsonaro, teve na eleição de 2022: foram oito dos nove estados da região naquele ano. Eram palanques compostos por candidatos do PL ou por aliados de outros partidos que pediam votos ao ex-presidente.

De acordo com a campanha de Flávio, essa decisão segue uma estratégia nova para a região, cujo objetivo é reduzir a margem de votos de Lula por meio de apoios aos candidatos aos governos que possam derrotar o PT. Ou seja: fortalecer a corrida nos estados mesmo que os indicados para a disputa não peçam voto para Flávio.

Seguindo essa linha, o PL decidiu lançar ao governo apenas três candidatos próprios —em 2022, foram cinco. O partido formou coligação para apoiar outros quatro, de outras legendas, que têm força para derrotar a esquerda. Nenhum deles, no entanto, vai apoiar Flávio Bolsonaro.

O PT tem um plano diferente para o Nordeste. Todos os nomes lançados ou apoiados pelo partido pedem votos para Lula.

Bolsonarismo derrotado em 2022

Na eleição passada, todos os bolsonaristas foram derrotados ainda no primeiro turno ou saíram da disputa por renúncia ou cassação da chapa. Lula, por outro lado, viu em 2022 seus aliados vencerem em oito estados —a exceção foi Pernambuco.

Agora, o PL terá candidatos próprios em apenas três dos nove estados: Paraíba (Efraim Filho), Rio Grande do Norte (Álvaro Dias) e Sergipe (Ricardo Marques). A nova estratégia tenta evitar a repetição das derrotas de 2022 e garante a Flávio esses palanques.

Em 2022, o PL focou na candidatura própria de Nilvan Ferreira na Paraíba (ficou em terceiro, com 18,68% dos votos) e de Fábio Dantas (Solidariedade) no Rio Grande do Norte (terminou em segundo, com 22,22%). Em Sergipe, a aposta era em Valmir de Francisquinho (PL), que liderava as pesquisas, mas cujo registro de candidatura foi negado na reta final da campanha.

Curiosamente, o PL local não era alinhado ao bolsonarismo, e Valmir tentou se dissociar do então presidente. Agora, ele está de novo na corrida, mas pelo Republicanos e anunciou neutralidade.

PL com nomes que não apoiam Flávio

Em Alagoas, o PL fez coligação com JHC (PSDB) para disputar o governo contra Renan Filho (MDB), apoiado por Lula.

JHC era filiado ao PL até abril, quando deixou o partido após a direção nacional negar a ele uma eventual candidatura ao Senado. A saída selou um afastamento do bolsonarismo (no qual havia mergulhado de cabeça no segundo turno da eleição de 2022) e que já era notado pela classe política desde 2023.

Em 2022, Jair Bolsonaro tinha uma situação oposta: um candidato ao governo que o apoiava, Fernando Collor (então no PTB), mas que não recebeu nenhum vídeo sequer pedindo votos a ele.

Na Bahia, o PL aderiu à candidatura de ACM Neto (União Brasil), único com chances de derrotar a reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT). Mas ACM já avisou que vai apoiar o amigo Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência —apesar de o PSD local apoiar o candidato do PT. No segundo turno, o bolsonarismo aposta que ACM possa embarcar na candidatura de Flávio.

Em 2022, o PL teve candidato próprio na Bahia: o ex-ministro de Bolsonaro João Roma, que acabou derrotado no primeiro turno com apenas 9,08% dos votos válido.

No Ceará, após a briga pública entre Flávio e Michelle Bolsonaro, o PL confirmou apoio à candidatura de Ciro Gomes ao governo, que já deixou claro: “Não sou Lula, nem Bolsonaro”. “Há quatro anos estava debatendo com eles, não mudei. Apenas deixei a questão nacional de lado para focar no Ceará”, diz.

A situação no estado é parecida com a de 2022, quando no primeiro turno Jair não teve apoio declarado de nenhum dos candidatos mais fortes ao governo —Capitão Wagner (União Brasil) declarou voto, mas apenas no segundo turno, quando já havia sido derrotado.

O outro estado em que o PL apoia candidato que não dará palanque a Flávio é o Piauí, onde o partido deu apoio a Joel Rodrigues (PP).

Ao UOL, Joel disse que segue a orientação partidária (o PP nacionalmente não declarou apoio a nenhum nome) de neutralidade. “Nossa aliança é feita com partidos que possuem simpatizantes do presidente Lula, como é o Solidariedade, e do candidato Flávio Bolsonaro, que é o PL.”.

“Nosso foco não é defender um presidente, mas, sim, um estado, uma população que se sente abandonada há quase 25 anos por um time político que se acha dono do Piauí”, completa.

Em 2022, o candidato do PL no estado, Coronel Diego, renunciou à disputa faltando uma semana para a eleição. Ele aparecia com menos de 5% de intenções de voto.

Estados neutros

Há dois estados em que o PL decidiu não se coligar com ninguém: Maranhão e Pernambuco.

No caso pernambucano, os bolsonaristas em peso aderiram à campanha para Raquel Lyra (PSD), que deve se manter neutra na disputa presidencial —ignorando inclusive Caiado, que é do seu partido. Seu rival, João Campos (PSB), se coligou com o PT.

Em 2022, o PL teve um candidato forte na disputa, Anderson Ferreira, que caiu no primeiro turno na terceira posição, com 18,15% dos votos válidos.

Já no Maranhão, onde a base de Lula rachou, não há candidatura forte do bolsonarismo, que aderiu em maior número ao nome do ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD).

Foi no estado que um candidato a governo bolsonarista teve maior votação no Nordeste: em 2022: Lahesio Bonfim (então no PSC) teve 24,87% das intenções de voto, mas acabou derrotado em primeiro turno para o atual governador, Carlos Brandão (hoje no MDB, mas antes no PSB).

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