“Cabo de Guerra”: Raquel estica a corda e convida deputados e prefeitos do PP ao Palácio sem avisar Eduardo da Fonte

Às vésperas da convenção do PP, a governadora Raquel Lyra (PSD) resolveu convidar a bancada estadual e os prefeitos da sigla para um café da manhã no Palácio do Campo das Princesas. A princípio, seria algo normal, desde que a gestora apenas comunicasse o presidente da sigla e pré-candidato ao Senado, Eduardo da Fonte.

Mas o dirigente só soube do encontro após a informação sair na imprensa. Uma fonte palaciana confirmou ao portal que Eduardo não foi comunicado, o que, além de uma descortesia, beira a estupidez política.

Mal comparando, é como se a governadora fosse a um município fazer uma reunião com os vereadores que a apoiam e não avisasse ao prefeito da cidade. “Foi de uma deselegância difícil de acreditar”, me disse um parlamentar, perplexo, ao receber o convite por telefone, por volta das 10h da manhã desta quarta-feira (22).

O convite da governadora causou constrangimento na sigla, que possui dez deputados estaduais e cerca de 30 prefeitos. O clima ficou tão ruim, depois da notícia publicada em primeira mão pelo blog da jornalista Terezinha Nunes, que alguns já avisaram que não irão participar.

“Eu mesmo não irei”, disse um deles, pedindo reserva. “Essa discussão não tem cabimento”, acrescentou.

Outros que irão afirmam que defenderão o nome de Eduardo diante da governadora caso ela mantenha a postura considerada “beligerante”, com ataques pessoais ao líder do PP.

A desorganização palaciana, faltando apenas 15 dias para o fim do período das convenções, expõe a chapa e a liderança de Raquel Lyra. Com a falta de unidade, ela se arrisca a ficar sem a federação na chapa majoritária, perdendo, consequentemente, tempo de propaganda e um valioso fundo eleitoral.

Essa falta de harmonia pode ser prejudicial a todos os envolvidos e acontece, segundo interlocutores, por causa da birra de Raquel com Eduardo da Fonte.

“A governadora, às vezes, faz política com o fígado, e não pode ser assim”, resumiu outro interlocutor.

Também deve ser citada a postura de Miguel Coelho, que não aceita outro candidato ao Senado e também não consegue construir diálogo com nenhum grupo político.

Com o poder político de seus deputados e prefeitos aliados, Eduardo da Fonte não teria razões para abrir mão da disputa ao Senado e já começa a ficar exposto negativamente.

A falta de uma construção política, tanto de Miguel quanto de Raquel, tem apenas duas semanas para ser corrigida. Caso contrário, poderá abrir espaço para que a oposição avance. Mesmo liderando as pesquisas de intenção de voto, é preciso atenção aos bastidores, pois eles podem comprometer um projeto de reeleição caso não haja articulações políticas eficientes no Palácio.

Se a governadora perguntar se os aliados estão “com ela ou com Dudu”, poderá receber uma resposta que talvez não a agrade. Afinal, a chave do fundo partidário que será utilizada pelos parlamentares durante a campanha não está no Palácio.

“Ninguém sabe quem foi o autor dessa ideia, mas ela foi a pior possível”, disse outro parlamentar, lembrando que o encontro tem tudo para tensionar ainda mais a base governista.

Via: Blog Ricardo Antunes

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