Como uma cidade no meio do Sertão pernambucano virou o maior polo exportador de frutas do Brasil? Ao lado de Juazeiro, na Bahia, Petrolina lidera a produção irrigada do Vale do São Francisco, que em 2024 vendeu frutas para mais de 50 países e faturou perto de US$ 1 bilhão.
O que é o polo de fruticultura de Petrolina?
O polo Petrolina-Juazeiro reúne produtores de fruta irrigada às margens do Rio São Francisco, no Sertão. A região se estende por vários municípios de Pernambuco e da Bahia e junta mais de 200 empresas ligadas à exportação, segundo a Valexport, associação dos produtores.
Segundo a Prefeitura de Petrolina, o carro-chefe são a manga e a uva de mesa. O Vale do São Francisco chegou a responder por 98% a 99% das exportações brasileiras de uva em 2024, segundo dados do ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Só de uva, a produção passa de 236 mil toneladas por ano.

Por que o Sertão virou celeiro de frutas?
A resposta está na combinação de água, sol e tecnologia. O Rio São Francisco garante irrigação o ano inteiro, e o clima seco, com pouca chuva e sol constante, evita muitas doenças de lavoura. Isso permite duas ou mais colheitas por ano, algo raro no Brasil. Os 4 pilares que sustentam o polo:

Para onde vão as frutas do Vale do São Francisco?
Os principais compradores estão na Europa e nos Estados Unidos. Nos últimos anos, entraram novos mercados: China, Japão, Coreia do Sul e países do Oriente Médio. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco confirmou em 2024 a abertura do mercado asiático para a uva pernambucana, o que promete acelerar o crescimento.
A janela mais forte de exportação vai de agosto a setembro, quando a produção do Vale atinge o pico. Confira as principais frutas produzidas:
| MangaVariedades Tommy, Kent, Palmer | Líder nacional | EUA e Europa |
| Uva de mesaSem semente e com semente | 98% do que o Brasil exporta | Europa e Ásia |
| Melão e melanciaCultivo consorciado | Alta produtividade | Holanda e Reino Unido |
| Goiaba, banana e acerolaMercado nacional forte | Complemento da cadeia | Brasil e Mercosul |
Quantos empregos a fruticultura gera na região?
Segundo estimativas do setor, entre 200 mil e 250 mil pessoas dependem direta ou indiretamente do polo Petrolina-Juazeiro. A fruticultura é 1 dos setores agrícolas que menos mecaniza e mais emprega. Colheita, embalagem, transporte, laboratórios e escritórios de exportação formam uma cadeia longa que sustenta cidades inteiras.
A Apex-Brasil, agência de exportação do governo federal, mantém um Centro de Excelência em Exportação de Frutas em Petrolina, em parceria com a Facape. O programa PEIEX já capacitou 275 empresas nos últimos 3 anos.
Quais são os gargalos e os planos futuros?
O maior gargalo é logístico. Quase nada da fruta sai pelo Porto de Suape, em Pernambuco. Os produtores preferem os portos de Pecém, no Ceará, Natal, no Rio Grande do Norte, e Salvador, na Bahia. A distância entre o campo e o cais chega a 800 km, o que encarece o frete e reduz a margem dos produtores.
A aposta seguinte é a Ferrovia Transnordestina, ainda em obras, que promete cortar esse custo pela metade. Junto com a abertura do mercado chinês para a uva e as novas variedades da Embrapa Semiárido, a expectativa é que Petrolina e o Vale do São Francisco ultrapassem o marco de US$ 1 bilhão em exportações nos próximos anos.