O alerta de aliados sobre o maior risco para Bolsonaro nestas eleições

Antes mesmo da escalada da guerra do clã Bolsonaro, com a divulgação do vídeo em que Michelle acusa Flávio de tê-la humilhado e apunhalado pelas costas, Jair Bolsonaro foi alertado por aliados mais pragmáticos sobre um grande risco à sua família nestas eleições: o de seus três filhos mais velhos ficarem sem mandato, num momento em que o patriarca está em prisão domiciliar e a disputa pelo seu espólio está escancarada em praça pública.

Tal cenário pode se concretizar caso Flávio Bolsonaro não se eleja presidente e Carlos, que é candidato a senador pelo PL em Santa Catarina, acabe a eleição atrás de Esperidião Amin (PP) e Carol de Toni (PL). Eduardo, deputado cassado, está nos Estados Unidos em um autoexílio.

Dos Bolsonaro que disputam cargo público, sobram Jair Renan, o filho mais novo a disputar cargos públicos, que é candidato a deputado federal em Santa Catarina, e Michelle, que está bem colocada nas pesquisas para senadora pelo Distrito Federal. Mas os três filhos mais próximos podem sair da eleição sem cargo.

Tal cenário pode se concretizar caso Flávio Bolsonaro não se eleja presidente e Carlos, que é candidato a senador pelo PL em Santa Catarina, acabe a eleição atrás de Esperidião Amin (PP) e Carol de Toni (PL). Eduardo, deputado cassado, está nos Estados Unidos em um autoexílio.

Dos Bolsonaro que disputam cargo público, sobram Jair Renan, o filho mais novo a disputar cargos públicos, que é candidato a deputado federal em Santa Catarina, e Michelle, que está bem colocada nas pesquisas para senadora pelo Distrito Federal. Mas os três filhos mais próximos podem sair da eleição sem cargo.

Carlos iniciou a carreira política ao assumir o cargo de vereador, em 2001. Flávio, por sua vez, foi eleito pela primeira vez para um mandato de deputado estadual em 2002, pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), onde exerceu quatro mandatos consecutivos. Já Eduardo foi eleito pela primeira vez nas eleições de 2014 para uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Estado de São Paulo.

Dos três filhos mais velhos, Eduardo é quem está numa situação mais delicada, tanto em termos políticos quanto jurídicos.

Cassado pela Câmara dos Deputados em dezembro do ano passado, o filho 03 está inelegível pelos próximos 12 anos e, portanto, impedido de disputar as próximas eleições.

A inelegibilidade é decorrência da condenação a quatro anos de prisão e dois meses de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo ao tramar sanções contra autoridades brasileiras para impedir a condenação do pai no caso da trama golpista, enquanto cumpre um auto-exílio nos Estados Unidos.

Carlos, por sua vez, enfrenta uma disputada eleição por uma vaga no Senado Federal por Santa Catarina, para onde transferiu seu domicílio eleitoral. Apesar de figurar como um tradicional reduto bolsonarista, o Estado é palco de uma acirrada disputa, com três candidatos competitivos do campo da direita – além de Carlos, a deputada federal Carol de Toni (PL) e o senador Esperidião Amin (PP) aparecem embolados em levantamentos de pesquisa.

“Parte do eleitorado catarinense vê Carlos como um estrangeiro”, afirma um interlocutor da família Bolsonaro ouvido reservadamente pelo blog, sobre as dificuldades no caminho do filho 02 na tentativa de representar o Estado no Parlamento.

A candidatura de Carlos também irritou lideranças locais e implodiu um acordo feito por Amin com o governador Jorginho Mello (PL). Após ser escanteado da composição da chapa, o parlamentar decidiu apoiar a candidatura ao governo do ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD).

Palácio do Planalto

A maior aposta da família é a candidatura presidencial de Flávio, que, segundo a última pesquisa Genial/Quaest, está com uma desvantagem de oito pontos percentuais em relação a Lula. De acordo com o levantamento, o presidente tem 45% das intenções de voto, contra 37% de Flávio. Em maio, havia um empate técnico entre os dois (42% a 41%), considerando a margem de erro.

De lá pra cá, a pré-campanha de Flávio foi abalada pelo vídeo de Michelle, que expôs as fissuras da família, e os desdobramentos das investigações do caso Banco Master, que trouxeram à tona mensagens em que o senador cobra do banqueiro Daniel Vorcaro dinheiro para supostamente financiar “Dark Horse”, filme sobre o atentado a faca contra Jair Bolsonaro nas eleições de 2018. A estreia do longa-metragem está prevista para ocorrer após o pleito de outubro, conforme informou ao blog a distribuidora Europa Filmes.

O caso Master voltou a assombrar Flávio nesta quarta-feira, após o site ICL Notícias divulgar uma foto em que Flávio aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”. O capanga de Vorcaro recebia R$ 1 milhão por mês para providenciar uma série de atividades ilícitas para o chefe, como obter acesso a investigações sigilosas, intimidar pessoas consideradas adversárias, planejar emboscadas e até mesmo ocultar informações da internet que seriam desfavoráveis ao entorno do banqueiro.

Na foto, os dois estão de óculos escuros – e Flávio, sem camisa, indicando se tratar de uma situação informal. Segundo o ICL Notícias, a imagem foi feita em 2022, em um hotel da zona sul do Rio. No entorno de Flávio, a tentativa é a de minimizar o desgaste provocado pelo episódio. “Já tirei fotos com milhares de pessoas. Saber o que cada um faz e pesquisar CPF não existe”, afirma um integrante da tropa de choque bolsonarista no Congresso.

Em nota divulgada à imprensa, Flávio alegou que “não conhece e nunca viu a pessoa na foto”. “É irresponsável tentar atribuir qualquer significado pessoal a uma imagem aleatória. Além disso, não se sabe qual a procedência da foto, nem se a imagem é real ou produzida por inteligência artificial”, disse o pré-candidato.

Se o filho mais velho enfrenta um caminho mais turbulento na corrida presidencial, o vereador de Balneário Camboriú Jair Renan (PL), o filho 04 de Bolsonaro, deve encontrar menos obstáculos em sua campanha pela Câmara dos Deputados, também por Santa Catarina. Em suas redes sociais, Jair Renan escreveu no último domingo que, ao lado de Flávio Bolsonaro, seguirá firme “na defesa de Deus, Pátria, Família e Liberdade”.

“Ser deputado federal é mais fácil”, resume um aliado. Difícil mesmo é garantir a paz na família Bolsonaro.

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