“Bem nas fotos”: Advogados presos na Bahia tinham cargos no CV, BDM e outras facções; veja as caras deles

Os dez advogados presos durante a Operação Sintonia de Gravata, tinham cargos e funções diferentes em facções criminosas na Bahia, a exemplo do Comando Vermelho (CV), Bonde do Maluco (BDM) e o Terceiro Comando Puro (TCP). A investigação revelou que advogados utilizavam indevidamente suas prerrogativas profissionais para atuar como mensageiros, facilitando a comunicação entre lideranças presas em unidades de segurança máxima e membros externos.

Segundo denúncia obtida pelo Bahia Notícias, nesta segunda-feira (6), os profissionais presos tinham condutas individuais, que extrapolavam a assistência jurídica para abranger a gestão financeira, logística de armas e tráfico de drogas. Os cargos deles iam desde a gestão de armamentos, como a contabilidade de facções e até o transporte e tráfico de drogas.

Os profissionais ainda realizavam engrenagens de gestão entre os chefes do tráfico presos, sendo representante deles, que estavam em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) e os membros em liberdade.

De acordo com o documento acessado pela reportagem, os profissionais presos tinham papéis e funções diversas na organização criminosa. Veja como funcionava a estrutura e os cargos que cada um dos advogados tinham nas facções:

  • Maria Mariana Batista de Oliveira (CV): A advogada assumiu o papel de intermediária do Comando Vermelho após a prisão de outro advogado. Suas condutas incluíram levar recados escritos para o traficante Fábio Panda sobre o acondicionamento de cocaína em “pinos”, distribuição e preços de venda. Ela também foi responsável por mediar conflitos interpessoais para José Lucas Silva Rocha e informar Victor de Freitas sobre sua ascensão ao comando da facção, transmitindo ordens deste para a compra de munições e distribuição de armas pesadas, como uma Carabina Taurus.
  • Fernanda Oliveira Borges (TCP): O advogado atuava em prol do Terceiro Comando Puro. Ela foi flagrada retirando cartas de dentro de suas roupas para o interno Marlos Araújo. Além disso, ela ainda foi apontada por realizar condutas envolvendo a transmissão de ordens para cobranças de dívidas mediante ameaça de morte. Fernanda chegou a receber ordens para realizar aquisição de metralhadoras e munições 9mm. Além disso, há indícios de que ela própria teria transportado entorpecentes (crack/”óleo”) para o grupo criminoso. Ela foi responsável por gerir pagamentos e informações para o preso Manoel Luiz, conhecido como Honda.

 

  • Joanderson Almeida dos Santos (BDM): Último preso na operação, o defensor atuava como integrante do Bonde do Maluco, tendo o cargo de assessor contábil e de gestão. Joanderson apresentava extratos de receitas e fluxos financeiros da venda de drogas para o traficante Leandro, conhecido como Leo Gringo. Suas condutas incluíram a coordenação da compra de veículos e imóveis para a facção, além de discutir estratégias de lavagem de dinheiro através da emissão de notas fiscais falsas.

 

  • Izabela da Silva de Oliveira (BDM): A defensora, além de mensageira, acumulava a função de operadora financeira do Bonde do Maluco. Mantinha alto grau de intimidade com o líder Averaldo Ferreira, realizando pessoalmente transferências via Pix para outros comparsas por ordem dele. Também transmitia informações sobre o tráfico de drogas na região da Barra, em Salvador.

 

  • Tamires Félix Alves da Silva (BDM): A advogada era interlocutora entre núcleos distintos da ORCRIM, prestando serviços para lideranças como “Colorido” e “Arco-Íris”. Suas condutas envolveram a leitura de resumos financeiros mensais (superando R$ 116 mil) para o criminoso Décio Douglas e a negociação de dívidas relacionadas ao fornecimento de cocaína (“pó”).

 

  • Ícaro Cardoso Viana (BDM): O advogado utilizava sua credencial para viabilizar a transmissão de ordens estratégicas do preso Gledson Bonfim, incluindo instruções para que parentes do preso buscassem pistolas e realizassem a entrega de entorpecentes. Também geria a prestação de contas do faturamento do tráfico e a reposição de estoques de maconha (“chá”).

 

  • Raíza Araújo da Silva (CV): A advogada atuava a mando de uma liderança de alto status hierárquico (referida como “04”) para prestar apoio pessoal e colher informações sobre a conjuntura de forças dentro do sistema prisional para o Comando Vermelho. Servia como canal para que presos em RDD solicitassem benefícios, como visitas íntimas, diretamente à cúpula da facção.

 

  • Luã Santos da Costa (BDM): Era responsável por utilizar suas prerrogativas para levar papéis com instruções sobre preços de remessas de drogas (“tipo exportação”, “flor”) para o interno Wesley Willian. Também fazia a gestão de armamentos, tratando da responsabilidade sobre pistolas deixadas com terceiros.

 

  • Luan Mascarenhas de Souza (CV): Realizava “falsos atendimentos jurídicos” para Francileno de Jesus Nunes, entregando cartas e anotando comandos sobre a alocação de armas de fogo (“peças”) e a regularização de veículos para uso da facção.

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