Conhecida nacionalmente por ter sido a mentora na morte dos pais, em outubro de 2002, Suzane Von Richthofen teve a pena de 38 anos de cadeia convertida para regime aberto. No entanto, um ponto que tem gerado debate sobre a liberdade está no fato de que Suzane nunca “passou” no teste de Rorschach, considerado um dos exames psicológicos mais profundos e complexos do sistema prisional.
De acordo com o jornalista e escritor Ulisses Campbell, a análise de peritos revelou que as projeções de Suzane indicam “uma ausência completa de remorso real”. Dessa forma, a ex-presidiária entende que o assassinato dos pais não teria sido uma tragédia humana, mas um fato que gerou prejuízo na sua trajetória.
O Teste de Rorschach consiste na apresentação de papéis com manchas abstratas, onde o paciente projeta características de sua personalidade que tenta esconder. Suzane teria sido submetida ao exame em quatro oportunidades, revelando traços de egocentrismo, narcisismo, manipulação e imaturidade emocional, apesar de sem caracterização formal de psicopatia.
Pela avaliação dos peritos, enquanto Suzane afirmava verbalmente estar arrependida do crime que cometeu, o teste responsável por apresentar sentimentos do subconsciente mostrava o contrário. Em algumas oportunidades, ela chegou a dizer que estava arrependida do crime porque “estragou a própria vida” e que poderia ter tido um futuro diferente com estudo e família.
Segundo os especialistas, a afirmação não demonstra remorso pelo ato, mas sim uma lamentação pelas consequências negativas que sofreu. Por fim, o laudo apresentou que Suzane computa o crime como uma perda pessoal, não havendo uma sensibilidade em relação à vida de Manfred e Marísia Von Richthofen.