Plano vira base de negociação após trégua de duas semanas; Irã exige fim de sanções e retirada dos EUA
Segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, Teerã concordou em suspender ações militares desde que ataques americanos e israelenses sejam interrompidos. Durante esse período, a passagem pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa grande parte do petróleo mundial, será liberada sob coordenação iraniana.
Os 10 pontos da proposta
De acordo com a agência Mehr, veículo de comunicação ligado a Teerã, os termos do plano incluem:
- Não agressão por parte dos Estados Unidos
- Manutenção do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz
- Reconhecimento do direito do Irã de enriquecer urânio
- Suspensão de todas as sanções primárias ao Irã
- Suspensão de todas as sanções secundárias ao Irã
- Regulação de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU
- Revogação de todas as resoluções do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica
- Pagamento de indenização ao Irã
- Retirada das forças de combate dos EUA da região
- Cessação da guerra em todas as frentes inclusive no Líbano
O conjunto de exigências transforma o cessar-fogo em um acordo estrutural, com impacto direto na política de sanções e na presença militar americana no Oriente Médio.
Trégua sob tensão
O acordo anunciado prevê um cessar-fogo inicial de duas semanas, período em que as negociações devem avançar. Segundo autoridades iranianas, os Estados Unidos aceitaram usar o plano de dez pontos como base para o diálogo, após inicialmente defenderem uma proposta alternativa com 15 pontos.
Apesar do avanço, o próprio Irã afirma que a trégua não representa o fim da guerra, mas apenas uma pausa condicionada ao andamento das negociações. O Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano declarou que o país permanecerá em alerta e responderá a qualquer novo ataque “com força total”.
A mídia estatal iraniana classificou o acordo como um “recuo” dos Estados Unidos, enquanto Washington sustenta que já atingiu seus principais objetivos militares e que um acordo definitivo está próximo.
Pressão militar e risco global
Antes do anúncio, Trump havia estabelecido um ultimato para a reabertura do Estreito de Ormuz e ameaçado bombardear infraestruturas críticas do Irã, como pontes e usinas de energia. A possibilidade gerou alertas internacionais sobre potenciais crimes de guerra e riscos humanitários.
O controle de Ormuz segue como principal ponto de pressão: sua interrupção parcial já provocou impactos no mercado global de energia e elevou o risco de crise econômica internacional.
Nas horas que antecederam o acordo, ataques foram registrados na região. Os Estados Unidos atingiram a ilha iraniana de Kharg, estratégica para a exportação de petróleo, enquanto Israel realizou bombardeios contra infraestrutura em território iraniano.
O Irã respondeu com ameaças a países do Golfo e indicou que poderia ampliar o conflito para além de suas fronteiras, incluindo alvos energéticos e hídricos.
Negociação indireta e impasse
As conversas seguem mediadas pelo Paquistão, sem contato direto entre Washington e Teerã. Segundo relatos de veículos internacionais como New York Times e Al Jazeera, o principal impasse continua sendo o alcance do acordo: enquanto o Irã exige o fim definitivo das hostilidades, os EUA defendem etapas progressivas.
A adoção do plano iraniano como base de negociação indica avanço diplomático, mas não elimina o risco de nova escalada militar ao fim da trégua.
Analistas avaliam que o período de 2 semanas será decisivo para definir se o conflito caminha para um acordo mais amplo ou para uma intensificação dos confrontos.
