Alvo é novamente a BRF. Ação ocorre em 5 Estados
A PF (Polícia Federal) deflagrou nesta manhã (5.mar.2018)a 3ª fase da Operação Carne Fraca. Batizada de Operação Trapaça, mais uma vez o alvo da ação é a BRF Brasil Foods.
Há 91 ordens judiciais sendo cumpridas nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e São Paulo. São 11 mandados de prisão temporária, 27 mandados de condução coercitiva e 53 mandados de busca e apreensão.
Nessa fase se investigam fraudes em laboratórios da BRF, com a adulteração de exames de autocontrole de patogenos dos frangos, omissão de notificação do mapa em constatação de salmonela em lotes de frangos, uso de laboratório descredenciado pelo mapa e até fraude nas rações fornecidas aos animais.
A ação coordenada entre a PF e o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) conta com a participação de 270 policiais federais e 21 auditores fiscais federais agropecuários. Segundo as investigações, laboratórios credenciados ao ministério fraudaram resultados de exames em amostras no processo industrial.
Eram informados dados fictícios em laudos e planilhas técnicas para o SIF (Serviço de Inspeção Federal) com a intenção de burlá-lo e, com isso, impedir que o MAPA fiscalizasse com eficácia a qualidade do processo industrial da empresa investigada.
Foram também constatadas manobras extrajudiciais que tinham como finalidade acobertar a prática das fraudes. O esquema era integrado por executivos do grupo empresarial, bem como de seu corpo técnico e profissionais responsáveis pelo controle de qualidade dos produtos da empresa.
Os investigados poderão responder pelos crimes de falsidade documental, estelionato qualificado, formação de quadrilha ou bando e crimes contra a saúde pública.
O Poder360 tenta contato com a BRF.
O Anffa Sindical (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários) divulgou uma nota em apoio a Operação Trapaça. Para eles, “é necessária a atuação independente e autônoma de servidores públicos no processo de inspeção agropecuária”. Leia a íntegra da nota abaixo.
Nota – O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários apoia a Operação Trapaça
O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) apoia a Operação Trapaça realizada pela Polícia Federal, na manhã desta segunda-feira (5), em cinco Estados brasileiros.
A operação conta com a participação de 21 auditores fiscais federais agropecuários e é desdobramento da Operação Carne Fraca, realizada em março de 2017 em decorrência de denúncias de um auditor fiscal federal agropecuário.
O objetivo da operação Trapaça é apurar indícios de fraudes em emissão de laudos de laboratórios privados que realizam processo de controle de qualidade e certificação de produtos para o mercado. Esses laboratórios criariam amostras com objetivo de esconder a condição sanitária dos lotes de animais e de produtos. O foco principal é a fraude nos resultados associados ao grupo de bactérias Salmonella spp.
A salmonela é comum em carne de aves, porque faz parte da flora intestinal destes animais, mas, em geral, é destruída no preparo regular dos alimentos. Porém, há dois tipos de Salmonela que são danosos à saúde pública e dois à saúde animal. Ao serem detectados devem desencadear uma série de procedimentos dentro de granjas e nos produtos, com objetivo de garantir a segurança alimentar do consumidor.
A ação destaca a importância de um sistema de inspeção agropecuária rigoroso, que envolva servidores públicos que atuem de maneira independente e que tenham compromisso com a segurança alimentar do brasileiro e dos consumidores dos produtos agropecuários brasileiros exportados.
O Anffa Sindical apoia a operação e reforça a necessidade da atuação independente e autônoma de servidores públicos no processo de inspeção agropecuária.
Sobre os Auditores Fiscais Federais Agropecuários
O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) é a entidade representativa dos integrantes da carreira de Auditor Fiscal Federal Agropecuário. Os profissionais são engenheiros agrônomos, farmacêuticos, químicos, médicos veterinários e zootecnistas que exercem suas funções para garantir qualidade de vida, saúde e segurança alimentar para as famílias brasileiras. Atualmente existem 2,7 mil fiscais na ativa, que atuam nas áreas de auditoria e fiscalização, desde a fabricação de insumos, como vacinas, rações, sementes, fertilizantes, agrotóxicos etc., até o produto final, como sucos, refrigerantes, bebidas alcoólicas, produtos vegetais (arroz, feijão, óleos, azeites, etc.), laticínios, ovos, méis e carnes. Os profissionais também estão nos campos, nas agroindústrias, nas instituições de pesquisa, nos laboratórios nacionais agropecuários, nos supermercados, nos portos, aeroportos e postos de fronteira, no acompanhamento dos programas agropecuários e nas negociações e relações internacionais do agronegócio. Do campo à mesa, dos pastos aos portos, do agronegócio para o Brasil e para o mundo.