Crônica: A VOLTA DE BELINHA!

Após a “escapulida” de vinte e um dias de ter pulado a “cerca”, a solteirona mimada, Belinha, que por certo foi a procura de um galã para a quebra dos “três vinténs”, felizmente, para a felicidade de sua dona, Crizeuda Campêlo, seus filhos Ismaela, Fernando e Antônio (Bolinhas), bem como os vizinhos das Ruas Almirante Tamandaré e Almirante Saldanha da Gama, no bairro Country Club, tivemos a princesinha de volta.
O sumiço da “soberana” comoveu a cidade de Juazeiro e região, fato noticiado na imprensa falada, escrita e televisiva. A família ficou bastante abalada com o desaparecimento do animal de estimação e muitas pessoas se comoveram com a “saída” da mocinha donzela!
As preceiras do Country Club – é o que não faltam – dedilharam os rosários sem parar e, o Responso de Santo Antônio era rezado às dezoito horas, todos na fé misturada com prenuncio do bom que haveria de ser encontrada a fugitiva Belinha que buscava um amor para ser o seu príncipe encantado.
A amiga Crizeuda, minha vizinha de mais de trinta anos, não perdia a esperança de encontrar a “princesinha”, pois, não podia ver uma mesa ou um banco, como que lutasse karatê, batia com a mão muito forte: Belinha vai aparecer! A mãozada era embalada pela fé, que às vezes a peça passava a ter fressuras. Será que é um aviso espiritual? Eu mesmo me perguntava!
Espírito não tem sexo e se evolui em diversos tipos de experiência corpórea. Já li, certa feita, um livro escrito por um dentista genial, no qual afirmara que cachorro tem espírito e, isto me convenceu. “Antes um cachorro amigo que um amigo cachorro”! Quem sabe que um espírito canino não guiou a sua irmã para casa de sua dona para aliviar sua angustia, saudade?! O Cosmo é o conjunto de tudo aquilo que foi criado ou tudo aquilo que existe!
O cachorro (cão novo ou pequeno), na seita animista baiana, é emblema de fidelidade e evoca São Lázaro e São Jorge. É capaz de ver ou sentir o espectro dos mortos, o diabo e quaisquer representações míticas do mal. O cachorro é um animal amigo e fiel ao seu dono, merecendo deste todo, o seu carinho. Quem sofre de pesadelos deve fazê-lo dormir debaixo da cama; quando ronda sem destino pela casa está afugentando o demônio; deitado com patas dianteiras cruzadas, boa ventura. Finalmente, quem mata um cachorro, deve sua alma a São Lázaro!
Os moradores do bairro Country Club, fundadores, formam uma família unida, tal qual o escotismo: sempre alerta! “Um por todos e todos por um”! A tertúlia (reunião) era constante das famílias que se reuniam para discutir a estratégia de encontrar a fujona, a fim de tranquilizar a nossa vizinha Crizeuda, pessoa que goza de grande estima no bairro.
Todas as opiniões eram válidas, pois, o importante era a descoberta do paradeiro da princesinha Belinha. Os recursos foram diversos, inclusive, as forças mediúnicas, visto que algumas amigas, moradores antigas, resolveram botar uma mesa espírita, àquela que se faz, usando o copo, sendo colocadas as palavras: Sim e Não, bem como as letras do alfabeto. Belinha será encontrada? Caso positivo, responda Sim! Cada uma com o respectivo dedo indicador sobre o fundo do copo, que tomou uma grande velocidade sobre à mesa e, acompanhado de uma voz Sim, estourando o copo, motivando tremeliques em razão do medo em duas videntes!
Com as forças espirituais ou não, fato é que no dia seguinte, de terem posta a mesa espiritual, no dia vinte e cinco de agosto Belinha nos braços de uma senhora, também comovente, foi entregue a nossa amiga Crizeuda, para satisfação de toda a família e vizinhos.
A notícia se espalhou no bairro, não demorando uma romaria na Rua Almirante Tamandaré, até a casa da fujona, não faltando beatas, preceiras, choros, abraços e agradecimentos a todos os santos, principalmente a São Francisco, protetor dos animais e padroeiro do bairro Country Club.
A festa de alegria, sorrisos de orelha a orelha! Belinha também sorridente e feliz por ter retornado à sua morada, tendo recebida a presença da TV São Francisco, que filmou a chegada do animal, querido, havendo rezas e palmas. Ismael Antônio (Bolinha), filho de Crizeuda, ao saber da boa notícia, às pressas, veio pra casa de sua mãe e, pegou a cadela especial que estava toda à catita, bonita, pôs na frente da moto, ostentando o título de nobreza, para o desfile pelas ruas de Juazeiro e Petrolina, antes, porém, passando pela porta da Igreja de São Francisco para agradecê-lo de coração!
Em seguida providenciou o exame de “conjunção carnal” para se certificar se Belinha continuava virgem ou se “clareou as vistas” com algum “príncipe” ou vira-lata. Ciente de que suas “escondidas” não foram bulidas, virgem, portanto, Belinha foi se produzir mais ainda, no Pet- Shop, com direito a vestes e perfumes importados, retornando para o seu “castelo”, sendo vigiada para que não mais volte a fugir para “fazer amor” fora das muralhas da “nobreza”!

*Geraldo Dias de Andrade é Cel. PM/RR – Escritor – Bel. em Direito – Cronista – Membro da Academia Juazeirense de Letras – Membro da ABI/Seccional Norte.

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