Em parceria com a Controladoria Geral da União em Alagoas (CGU/AL), a Superintendência de Polícia Federal em Alagoas (PF/AL) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (10), a 2ª fase da Operação Brotherhood, com o objetivo de apurar novas irregularidades no fornecimento de gêneros alimentícios destinados à merenda escolar em municípios do Estado de Alagoas. São investigados recursos de cerca de R$ 20 milhões em compras de prefeituras a empresas investigadas.A investigação constatou indícios de outras irregularidades nos municípios alagoanos de Atalaia, Canapi, Igreja Nova, Joaquim Gomes, Limoeiro do Anadia e São Luiz do Quitunde, praticadas pelo mesmo grupo alvo da 1ª fase da operação, que desarticulou em 28 de junho de 2016 uma organização criminosa responsável por fraudes em licitações, com prejuízo superior a R$ 12 milhões.
A Operação Brotherhood II conta com a participação de nove auditores da CGU e 88 policiais federais. Estão sendo cumpridos 14 mandados de condução coercitiva e 22 mandados de busca e apreensão. As ações estão sendo realizadas na capital Maceió e nos municípios de Ibateguara, Rio Largo, Paripueira, São Luiz do Quitunde, Limoeiro do Anadia, Igreja Nova, Joaquim Gomes, Atalaia, Pindoba, Traipu, e São Miguel dos Campos, além dos municípios de Quipapá e Paulista, em Pernambuco.
Com o aprofundamento das investigações, foram revelados os demais participantes do esquema, além de detalhes sobre modo de atuação. A organização criminosa utilizava diversas empresas para atribuir aspecto de legalidade aos processos licitatórios das prefeituras. A participação ocorria por meio de procurador, geralmente um empregado vinculado a alguma das empresas integrantes do grupo.
Às 10h30min está prevista coletiva de imprensa a ocorrer no Auditório da SR/DPF/AL, oportunidade em que outros importantes esclarecimentos serão repassados pelas autoridades presentes.
PRIMEIRA FASE
A Brotherhood teve origem em denúncias à Prefeitura de Traipu, parte delas formalizadas por agentes públicos do próprio município. Durante a apuração, a CGU considerou o histórico de irregularidades já praticadas por gestores anteriores, que resultaram na Operação Tabanga, deflagrada em 2009. A investigação constatou fraudes semelhantes em outros municípios da região.
Entre as falhas, a CGU identificou direcionamento de processos licitatórios; sobrepreço; superfaturamento; conluio entre as empresas participantes dos certames; “jogo de planilhas”; constituições de empresas de fachadas; utilização de sócio oculto; e omissões por parte das prefeituras quando do recebimento das mercadorias destinadas à merenda escolar.de investigação criminal iniciada em meados de 2015, mediante a instauração do IPL nº 300/2015 – SR/PF/AL para apurar como um grupo de empresas formou um conluio para fraudar pelo menos três licitações no município de Traipu.
Em sua primeira fase, foram realizadas buscas e conduções coercivas, bem como indiciamento de empresários e servidores públicos, em cinco municípios alagoanos: Maceió, Girau do Ponciano, Traipu, Ibateguara, Tanque d’Arca e Roteiro.
À época, um alvo da operação em Maceió foi um bistrô requintado, localizado na Avenida Fernandes Lima, próximo à Praça Centenário, suspeito de integrar o esquema lavando o dinheiro da quadrilha. (Com informações da PF e CGU em Alagoas)