Foto: Reprodução / Globo News
O Ministério Público Federal detalhou na tarde desta segunda-feira (14) o fluxo de dinheiro referente ao caso que resultou na denúncia contra o pecuarista José Carlos Bumlai e de outras 10 pessoas (clique aqui).
Os crimes começaram em 2004, quando Bumlai pediu um empréstimo no valor de R$ 12 milhões ao Banco Schahin, cujo destino real seria o PT, de acordo com a denúncia, de forma que ele estaria atuando como intermediador do partido. Após esse empréstimo ser renovado, sem garantia real, há uma liberação de avalistas e de garantias que permite uma nova operação em dezembro de 2005, no valor de R$ 18 milhões em nome da Agrocaieras, de Maurício e Cristiane Bumlai.
A instituição financeira, diante da dívida sem quitação, negocia a operação ou fretamento de um navio-sonda da Petrobras em troca da eliminação do débito. Por meio do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, o lobista Fernando Baiano atua em relação ao caso junto ao diretor de Área Internacional da companhia, Nestor Cerveró, que, por sua vez, aciona o ex-gerente da petrolífera, Eduardo Musa.
Delator da Operação Lava Jato, Musa apresentou, em outubro deste ano, comprovantes de recebimento de R$ 5 milhões em propina em troca da concessão do fretamento da sonda. O negócio, porém, sofreu rejeições iniciais em 2008 até o contrato ser assinado, em janeiro de 2009, desta vez já sob influência do substituto de Cerveró, Jorge Luiz Zelada.
Os crimes indicados na denúncia do MPF são: corrupção ativa e passiva, referente ao período entre 2006 e 2009; gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro, referente aos pagamentos efetuados após a assinatura do contrato, a título de quitação da dívida.
As penas variam entre 2 anos e 8 meses e 38 anos de prisão, exceto no caso dos Bumlai, que podem sofrer pena mínima de 9 anos e 6 meses e máxima de 43 anos e 4 meses. O valor total de ressarcimento estabelecido pelo MPF é de R$ 53,5 milhões