*Fred Pontes/Facebook

Réquiem para a inteligência. Estou na cidade de Araripina, quando recebo nesse exato momento a notícia do falecimento de meu amigo querido, o homem que foi para mim um segundo pai. Não contenho a tristeza e choro envolto no turbilhão das lembranças de você Lucien Paulo da Silva.
Eterno menino de rara inteligência. Ator, diretor, compositor, músico, escritor, repentista, homem de televisão (foi o primeiro chefe de jornalismo da Tv Norte), homem de cinema, publicitário, radialista, cientista político, funcionário público, bancário, empresário, produtor e agitador cultural… Enfim. Você foi o mais versátil do nosso tempo. Me recordo de tudo velho amigo, do grupo Juá, do Samba de véio, do Maculêlê, de você serelepe: Mateus derrubando “Janeiro” para logo em seguida jorrar alegria com a ressurreição do Boi, no Reis mais belo do mundo, premiado por onde passou.
Você também ressuscitava em forma de Cristo na Via Sacra. O mais fascinante espetáculo a céu aberto da nossa querida Juazeiro Lucien. Quantas peças de teatro desfilaram seu talento ao redor do mundo? Era você ditando e deixando a pura essência do ser juazeirense por onde passava.
Não me canso de lembrar suas ponderações e colocações a cerca de qualquer tema. Era para mim uma aula de retórica, conhecimento e inteligência. Sempre com a verve borbulhante das grandes exceções. Você nos deixa órfãos no nosso momento mais crítico meu amigo. Juazeiro vive seu mais dramático momento criativo e existencial, onde as inteligências encontram-se embotadas, adormecidas num marasmo insuportavelmente medíocre. Você está indo e levando parte importante de nossa história contigo.
Ajudou a escrever as mais instigantes páginas do nosso tempo. Nossa cidade sentirá falta de seus lampejos e rompantes brilhantes Lucien. Eu sentirei… Percalços por certo existiram e se perderão no caminho da eternidade. À incompreensão sempre será uma cruz que pessoas de sua coragem, determinação e fé carregarão ao longo da vida, para além da morte. Mais sei que seu amor extremado por Juazeiro arrefece quaisquer angústias.
Você que foi um filho amado e amante de sua terra, agora volta ao ventre materno defendido com todas as forças na sua brilhante trajetória entre nós mestre querido. A você Lêda, a Juninho, a Lamêska e Nâmbia, deixo a certeza do amor inconteste meu, de Fridda e de Bebela por vocês. E de nossa eterna gratidão por tudo que vocês representam para nossa família. Contem sempre conosco. A você meu menino, deixo um trecho do poeta Vinicius de Moraes: “vai tua vida, teu caminho é de paz e amor.
A tua vida é uma linda canção de amor. Abre seus braços e canta a última esperança. A esperança divina, de amar em paz”. Eu vou ficando por aqui onde você me deixou Lulu. Pranteando a sua ausência e seguindo suas lições. Vai em paz meu mestre.
Saudades eternas. Frederico Figueiredo Pontes – juazeirense