Obra da Codevasf realizada pela construtora Floresta Empreendimentos em Casa Nova é alvo de operação por trabalho análogo à escravidão

Treze trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão em uma obra de pavimentação no sertão da Bahia financiada pela Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), estatal que se tornou um dos principais redutos de influência do centrão e que tem recebido verbas do novo “orçamento secreto”.

O resgate dos trabalhadores ocorreu em 1º de julho, durante fiscalização da Auditoria-Fiscal do Trabalho, vinculada ao MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), no distrito de Santana do Sobrado, em Casa Nova (BA).

A obra de calçamento era executada por trabalhadores recrutados pela construtora Floresta Empreendimentos e Serviços Ltda. Eles atuavam em condições desumanas que representavam riscos às suas vidas. Sob forte calor, não tinham acesso à água potável nem equipamentos de segurança, entre outras violações.

A empresa tem um contrato de R$ 29 milhões com a Codevasf para “serviços de pavimentação em vias urbanas e rurais de 12 municípios” na região de Juazeiro (BA), segundo informou a estatal. “É mais comum a gente encontrar situações assim [de trabalho escravo] em contratações com os municípios. Com a Codevasf é novidade”, diz o procurador do MPT (Ministério Público do Trabalho) Ulisses Carvalho, membro do Grupo Especial de Fiscalização Móvel que atuou no resgate.

Acompanhada pela Repórter Brasil, a operação foi uma atuação conjunta entre MPT, MTE, DPU (Defensoria Pública da União) e Polícia Federal. Os recursos para execução da obra teriam sido repassados à estatal por indicação do deputado federal Adolfo Viana (PSDB-BA). Foi o que disse em uma rede social o prefeito de Casa Nova, Anisio Viana (PSDB), que é primo do deputado.

“A pavimentação em Santana do Sobrado já é realidade”, escreveu. “Essa importante conquista conta com a parceria e a emenda de R$ 12 milhões do deputado Adolfo Viana”, celebrou o prefeito. No vídeo divulgado na postagem, uma narradora vestindo um capacete de segurança — equipamento de proteção que não era usado por nenhum trabalhador durante a fiscalização — afirma que a obra só foi possível “através da força política” do prefeito Anisio Viana e de “uma emenda histórica”. O próprio deputado federal comentou o post: “Tmj sempre!”

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