Genial/Quaest: Raquel Lyra tem 43% das intenções de voto no 1º turno para o governo de Pernambuco; João Campos marca 37%

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira mostra que Raquel Lyra (PSD) tem 43% das intenções de voto para o governo de Pernambuco ante 37% de João Campos (PSB) no primeiro turno. A atual chefe do Executivo estadual assumiu a liderança da disputa — numericamente — em relação à sondagem do instituto divulgada em abril, quando o ex-prefeito da capital tinha 42% a 34%. O cenário hoje é de empate técnico no limite da margem de erro, de três pontos percentuais.

É a primeira sondagem Genial/Quaest a medir o pulso dos eleitores pernambucanos desde a oficialização das candidaturas. No novo levantamento, os demais candidatos — Camila Falcão (UP), Ivan Moraes (PSOL) e Renan Hallais (Missão) — pontuam 1%. Os indecisos são 11%, e aqueles que indicam voto em branco/nulo ou que não irão votar somam 6%.

Veja os números:

  • Raquel Lyra (PSD): 43%
  • João Campos (PSB): 37%
  • Camila Falcão (UP): 1%
  • Ivan Moraes (PSOL): 1%
  • Indecisos: 11%
  • Brancos e nulos: 6%

A Genial/Quaest também apontou Raquel Lyra na frente num eventual segundo turno, com 45% das intenções de voto, enquanto João Campos registra 39%. Mais uma vez, houve uma inversão na posição dos candidatos: na sondagem anterior, o ex-prefeito aparecia à frente no embate direto, com 46% a 39%.

Os indecisos somam 8%, mesmo número daqueles que indicam voto em branco, nulo ou a intenção de não votar.

A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas presenciais entre os dias 22 a 26 de julho. Foram ouvidos 900 eleitores de Pernambuco de 16 anos ou mais no estado. O levantamento está registrado sob os números BR-03810/2026 e PE-09649/2026, possui nível de confiança de 95% e margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

No estudo segmentado dos eleitores, as margens de erro são maiores. Considerando o primeiro turno, a nova Genial/Quaest aponta a liderança de Raquel Lyra sobre João Campos fora do limite da margem entre os homens (46% a 34%); entre os mais jovens, de 16 a 34 anos (52% a 30%); os que ganham entre dois e cinco salários mínimos (49% a 33%); e entre os evangélicos (54% a 27%).

Na eleição espontânea, em que o entrevistado é instado a citar sua opção de voto sem ver antes de uma lista de candidatos, Raquel Lyra soma 25%, contra 18% de João Campos. (Neste caso, os indecisos são 54%, e outros 3% indicam voto em branco, nulo ou a intenção de não votar.) Em abril, 26% dos entrevistados mencionaram diretamente o ex-prefeito e 21%, a atual governadora.

Segundo o levantamento, para a maioria do eleitorado pernambucano (58%), a decisão de voto já é definitiva. Mas 41% afirmam que ainda podem mudar de ideia caso algo aconteça. Outro 1% não soube ou não respondeu.

Os dados mostram que seis em cada dez eleitores de João Campos (66%) se dizem decididos do voto, assim como 58% de Raquel Lyra.

Avaliação do governo de Raquel Lyra

Segundo a Genial/Quaest, a aprovação do governo de Raquel Lyra saltou 17 pontos desde agosto do ano passado — em abril, chegou a 62% e, agora, 68%. A desaprovação, na mesma toada, recuou 22 pontos desde agosto, de 45% a 35% e, no novo levantamento, 23%. Outros 9% não souberam/não responderam.

A pesquisa mostra ainda que, de agosto do ano passado para cá, o percentual de eleitores que tinham uma avaliação “negativa” do governo de Raquel Lyra caiu treze pontos, de 28% a 15% (o recuo maior se deu até abril, de dez pontos, com oscilação dentro da margem de erro desta vez). A avaliação “regular” da gestão estadual caiu sete pontos, de 43% a 36%, voltando ao patamar registrado em agosto. Agora, a avaliação positiva assumiu a liderança, com alta de nove pontos desde o último levantamento (36% a 45%).

O novo levantamento mostra, no cenário atual, que a maioria dos eleitores (57%) acha que Raquel Lyra merece se reeleger (mesmo patamar de abril; em agosto, eram 43%). Aqueles que se opõe à reeleição dela eram maioria na sondagem de agosto (54%), mas nessa pesquisa e em abril somam 36%. Desta vez, 7% não souberam/não responderam.

Os dados da Genial/Quaest mostram que, em julho, 24% querem que o governo estadual “mude totalmente” — em abril, eram 31%. Aqueles que defenderam a iniciativa de “mudar apenas o que não está bom” passaram de 36% da sondagem anterior para atuais 41%. E 3% não souberam responder.

Conhecimento e rejeição de candidatos

Os dados da Genial/Quaest apontam que Raquel Lyra é a candidata que os eleitores pernambucanos, em maior proporção, “conhecem e votariam”: 59%. Enquanto isso, 35% a conhecem, mas não votariam e 6% não a conhecem.

Em relação a João Campos, 57% afirmaram que o conhecem e votariam nele. Outros 9% indicaram que não o conhecem. Mas, desta vez, 34% apontaram que “conhecem e não votariam” no ex-prefeito — seis pontos a mais que o registrado em abril (28%).

Os demais candidatos têm o desafio de serem mais conhecidos pelo eleitorado: 84% desconhecem Ivan Moraes (PSOL) e 92% afirmam não saber quem é Renan Hallais (Missão) nem Camila Falcão (UP).

Lula x Bolsonaro

Segundo a Genial/Quaest, mais da metade dos eleitores pernambucanos (55%) indica voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em outubro. Seu principal concorrente, o senador Flávio Bolsonaro (PL), marca 21%.

A pesquisa mostra estabilidade no patamar do eleitorado que gostaria que o próximo governador fosse aliado de Lula: 47%. A proporção que diz preferir um candidato independente passou de 30% a 34% desde abril, enquanto aquela que defende um aliado de Bolsonaro no poder oscilou de 17% a 14%.

João Campos segue como o candidato mais associado a Lula no estado, apesar do recuo, nessa pergunta, de 47% a 44% desde abril. A proporção dos que vinculam Raquel Lyra ao atual presidente foi de 12% a 8% no novo levantamento, enquanto aqueles que dizem não saber ou não responderam saltaram de 41% a 48%.

Enquanto isso, Raquel Lyra passou a ser indicada como a candidata “do ex-presidente [Jair] Bolsonaro” por 23% dos entrevistados — dez pontos a mais que o registrado na sondagem passada.

Disputa para o Senado

Na corrida para as duas vagas no Senado, a Genial/Quaest aponta a liderança da ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) e do senador Humberto Costa (PT) — os dois integrantes da chapa de Lula no estado. A pedetista soma entre 19% e 21% das intenções de voto, a depender dos adversários testados em cada cenário, e o petista, de 12% a 14%.

O deputado federal Mendonça Filho (PL) aparece numericamente em terceiro, com 8%, à frente das lideranças estaduais do Centrão: Eduardo da Fonte (PP) e Miguel Coelho (União), ambos com 6% em todos os cenários.

Candidato da chapa de Raquel Lyra, Túlio Gadelha (PSD) marca 4%. Silvio Nascimento (PL), por sua vez, fica entre 2% e 3%; Carlos Sant’Anna (Novo) e Paulo Rubem Santiago (Rede) têm 1% em alguns cenários. Fernando Dueire (PSD) não pontuou.

Os indecisos aparecem com patamar que varia entre 18% e 24%, e aqueles que indicam voto em branco/nulo ou a intenção de não votar somam 22% a 25%.

A disputa eleitoral em Pernambuco

Herdeiro repaginado da cultura política iniciada pelo bisavô Miguel Arraes e seguida pelo pai, Eduardo Campos, dois ex-governadores, João Campos deixou a prefeitura da capital no início de abril com aprovação elevada. Se o trabalho à frente da cidade o faz contar com a força eleitoral dela e dos municípios do entorno, o sobrenome e o imaginário o ajudam a acessar outras regiões, assim como as redes sociais. Já Raquel Lyra, ex-prefeita de Caruaru, tenta convencer os eleitores de que merece um segundo mandato e destaca os feitos da gestão, que tem aprovação crescente.

Ambos, desde o ano passado, reforçaram movimentos para se aproximar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Raquel Lyra trocou o PSDB pelo PSD e construiu pontes com o governo federal, além de reforçar laços com parcelas do PT local — apesar de seu atual partido ter Ronaldo Caiado (PSD) como candidato próprio à Presidência.

A sigla de Lula, ao menos formalmente, fechou apoio a João Campos, que definiu sua chapa com o senador petista Humberto Costa e a ex-deputada Marília Arraes (PDT) na corrida ao Senado. O vice de Campos será Carlos Costa, irmão do ex-ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho, que chegou a confirmar a intenção de disputar a eleição majoritária, mas mudou de planos e vai concorrer a deputado após “amplo diálogo” com Lula.

Em junho, Lula gravou um vídeo declarando apoio a João Campos. A divulgação da peça ocorreu uma semana após o presidente do PT e coordenador da campanha do petista, Edinho Silva, ter desautorizado publicamente declaração do ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social) de que Lula teria um duplo palanque no estado, onde o ex-prefeito de Recife concorre contra a governadora.

Em entrevista ao GLOBO, Dias indicou que o presidente apoiaria tanto Campos quanto Lyra no estado. A declaração do ministro gerou revolta no entorno do ex-prefeito, que rechaçou a possibilidade de um duplo palanque. A expectativa é que haja pressão de Campos para que Lula faça agendas ao seu lado em Pernambuco, estado natal do presidente. Mas o comando da campanha à reeleição prevê que Lula possa evitar estados com palanques divididos em agendas no primeiro turno.

Aliados de Lyra minimizam o apoio formal do PT a João Campos afirmando que parte da base do partido está com a candidata à reeleição. Na campanha, a expectativa é que a governadora propague entregas feitas na área de segurança e infraestrutura, além de saúde e educação, mas sem deixar de exaltar parcerias com Lula.

Em janeiro, a disputa entre João Campos e Raquel Lyra se acirrou em meio ao monitoramento feito por policiais civis da rotina do então secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro. Revelado pela TV Record, o caso virou uma nova frente de embate entre o ex-prefeito, que denunciou “uso eleitoral” das forças de segurança para “perseguição”, e a governadora, que defendeu a legalidade da ação após o recebimento de uma denúncia anônima sobre o suposto pagamento de propina sendo feito a um servidor público de Recife.

As demais candidaturas ao governo mal pontuam nas pesquisas. Parte disso se deve à desarticulação do PL, partido da família Bolsonaro, em terras pernambucanas. Até então a principal figura da sigla no estado, o ex-ministro do Turismo Gilson Machado se desfiliou por insatisfações internas. A rejeição ao bolsonarismo é alta em Pernambuco.

Este mês, o diretório do Partido Liberal (PL) em Pernambuco cancelou um evento que aconteceria em Recife com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O pré-candidato à Presidência decidiu, na ocasião, ficar mais um dia em Washington enquanto tentava argumentar contra a imposição do tarifaço americano e contornar os danos à campanha da associação do bolsonarismo ao trumpismo.

Por lá, o PL ainda não definiu se lançará candidatura própria ao Senado, discussão considerada estratégica por dirigentes locais para fortalecer o palanque ao Planalto. Em meio a articulações do diretório nacional por uma aliança com Flávio, o Republicanos de Pernambuco declarou apoio a Lula.

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