A montagem da chapa majoritária da governadora Raquel Lyra entrou em sua fase decisiva e, ao que tudo indica, apenas um ponto permanece fora de qualquer discussão. A permanência da vice-governadora Priscila Krause é tratada como uma definição consolidada no núcleo político do Palácio do Campo das Princesas.
Parceira de primeira hora da campanha vitoriosa de 2022, Priscila conquistou a confiança da governadora ao longo da gestão e, internamente, sua recondução é vista como um movimento natural para garantir estabilidade política e administrativa ao projeto de reeleição.
A outra definição praticamente encaminhada é a indicação do deputado federal Túlio Gadelha para uma das vagas ao Senado. A escolha atende a uma estratégia de ampliar o alcance político da chapa, permitindo ao palanque governista dialogar com diferentes segmentos do eleitorado e evitar rótulos ideológicos que possam restringir sua capacidade de atrair apoios em uma disputa que promete ser altamente polarizada.
Se essas duas peças parecem praticamente encaixadas, a segunda vaga ao Senado continua sendo o principal foco de tensão dentro da base governista. A cadeira foi reservada à Federação União Progressista, mas o impasse sobre quem será o escolhido permanece sem solução. De um lado está o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente estadual da federação e responsável por conduzir uma das estruturas partidárias mais robustas de Pernambuco.
Do outro aparece o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, que reúne a preferência pessoal da governadora para compor a chapa. O dilema se intensificou porque Raquel, segundo interlocutores, ofereceu por duas vezes a vaga a Eduardo da Fonte, sem que houvesse uma definição.
Diante da ausência de um entendimento, passou a construir uma alternativa em torno de Miguel, movimento que acabou ampliando o desgaste interno e transformando a escolha em um delicado exercício de equilíbrio político.
A dificuldade reside justamente na legitimidade dos dois postulantes. Eduardo da Fonte reúne os argumentos partidários ao controlar a federação em Pernambuco e reivindicar o direito natural de indicar o nome para a disputa. Miguel Coelho, por sua vez, apresenta um ativo igualmente relevante: a afinidade política com a governadora e a avaliação de que sua candidatura poderia ampliar o alcance eleitoral da chapa em regiões estratégicas do Estado.
Nenhum dos dois abre mão da pretensão, e ambos contam com apoios importantes dentro e fora de seus partidos. O resultado é um impasse que extrapola a simples definição de uma candidatura, envolvendo também a preservação da unidade da base governista para uma eleição em que cada aliado terá papel decisivo na construção dos palanques regionais e na mobilização eleitoral.
O relógio, porém, joga contra todos os envolvidos. A convenção partidária marcada para o próximo dia 1º de agosto exige que a governadora apresente sua chapa completa, tornando inevitável uma decisão nos próximos dias.
A reunião realizada na última segunda-feira entre Raquel Lyra, Fernando Filho, Eduardo da Fonte, Antonio Rueda e Ciro Nogueira serviu para colocar todas as cartas sobre a mesa e estabelecer um prazo para a construção de um consenso, que, em tese, se encerraria nesta quarta-feira. Ainda assim, o cenário continua longe de um desfecho tranquilo.
Seja qual for a escolha, um dos dois grupos sairá frustrado, e caberá à governadora administrar as consequências políticas de uma decisão que poderá influenciar não apenas a composição da chapa, mas também o nível de engajamento de aliados fundamentais durante a campanha. Em política, tão importante quanto escolher é encontrar uma forma de manter unidos aqueles que não foram escolhidos.
Coluna do Edmar Lyra