Tarifa zero para uvas brasileiras na União Europeia abre nova janela de competitividade para exportadores

Desde sexta-feira (1º), a uva brasileira passa a contar com tarifa de importação zerada para entrada no mercado da União Europeia, com o início da vigência provisória da etapa comercial do Acordo União Europeia–Mercosul. A medida representa ummarco para a fruticultura nacional e fortalece a competitividade da uva brasileira em um dos mercados mais estratégicos e exigentes do mundo.

O Acordo União Europeia–Mercosul é um tratado de livre comércio firmado entre os países do Mercosul, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e os 27 países da União Europeia, com o objetivo de facilitar o comércio, ampliar investimentos e criar regras mais previsíveis para os negócios entre os blocos.

Embora sua vigência ainda seja provisória, já permite que benefícios comerciais, como a redução tarifária, comecem a ser aplicados enquanto o acordo segue em tramitação para aprovação definitiva pelos parlamentos europeus.

A nova fase do acordo prevê a eliminação gradual de tarifas para cerca de 93% dos produtos exportados pelo Mercosul à Europa em até dez anos. Já neste primeiro momento, cerca de 39% dos produtos agropecuários brasileiros passam a ter tarifa zero, especialmente aqueles em que o Brasil já possui forte presença internacional, como a uva.

Em 2025, a uva brasileira manteve trajetória de crescimento no mercado internacional.
Segundo dados do setor, os embarques superaram mais de 62 mil toneladas,
crescimento de 5,62% comparado ao ano de 2024, com faturamento de US$ 158,7
milhões. O bom desempenho reforça a importância da cadeia produtiva dentro do
agronegócio nacional e evidencia o potencial de expansão diante de novas condições
comerciais.
A produção brasileira de uva tem papel estratégico na fruticultura nacional, com forte
impacto econômico, social e geração de empregos no campo. De acordo com os dados
mais recentes do setor, Pernambuco lidera a produção nacional, com 755,2 mil
toneladas e participação de 41,5% do volume total produzido no país, consolidando o
protagonismo do Vale do São Francisco na produção de uva de mesa voltada ao
mercado interno e à exportação. Em seguida, o Rio Grande do Sul responde por 686,6
mil toneladas, o equivalente a 37,7% da produção nacional, com forte presença tanto
na indústria de vinhos e sucos quanto no mercado in natura.
O cenário reforça a força da cadeia produtiva brasileira e a capacidade de
abastecimento contínuo, fator estratégico para ampliar a competitividade da uva
nacional no mercado internacional.

A Europa já figura entre os principais destinos da uva brasileira, com destaque para
mercados como Países Baixos (Holanda), Reino Unido e Espanha. Além do consumo
direto, alguns países funcionam como plataformas logísticas de redistribuição para
outros mercados europeus, ampliando o alcance da fruta brasileira dentro do
continente.
Para o diretor executivo da Abrafrutas, Eduardo Brandão, a nova condição comercial
fortalece a posição do Brasil no mercado europeu.
“O Brasil já é reconhecido pela qualidade e regularidade da sua produção, e a retirada
da tarifa amplia nossa competitividade frente a outros grandes exportadores mundiais.
É uma oportunidade concreta de crescer em volume, ampliar mercados e gerar mais
valor para toda a cadeia produtiva”, afirma.
Segundo ele, o momento também reforça a importância de agendas ligadas à
sustentabilidade e à conformidade com os padrões internacionais.
“O consumidor europeu está cada vez mais atento à origem do alimento, às práticas
ambientais e à responsabilidade social na produção. O Brasil está preparado para
atender essa demanda e seguir avançando”, completa.
Além da uva de mesa, que teve a tarifa de 11,5% zerada imediatamente com a entrada
em vigor da fase comercial do acordo, outras frutas estratégicas da pauta exportadora
brasileira também serão beneficiadas pela redução gradual de tarifas no mercado
europeu.
O abacate terá sua tarifa de 4% eliminada em até quatro anos; limão e lima, que
atualmente enfrentam tarifa de 12,8%, terão desgravação total em sete anos; o melão
e a melancia, hoje taxados em 8,80%, também terão tarifa zerada no mesmo prazo; e a
maçã terá a alíquota de 10% eliminada em até dez anos.

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