O Rio São Francisco pode voltar a ser uma das principais rotas de transporte do país depois de mais de uma década praticamente fora do mapa logístico brasileiro.
O governo federal anunciou um projeto para retomar a navegação comercial no Velho Chico, ligando Minas Gerais ao Nordeste por meio de uma hidrovia de mais de 1,3 mil quilômetros.
O plano surge em meio à pressão por modelos logísticos menos caros e menos poluentes. Segundo o governo, um único comboio hidroviário pode retirar até 1,2 mil caminhões das estradas, reduzindo emissão de carbono e custos operacionais.
Integração entre Sudeste e Nordeste
A primeira etapa da hidrovia deve conectar Juazeiro e Petrolina a Ibotirama, na Bahia. A expectativa é que o trecho movimente cerca de 5 milhões de toneladas logo no primeiro ano de operação, volume próximo ao registrado na cabotagem do Porto de Santos em 2024.
Entre os produtos previstos para circular pelo Velho Chico estão soja, milho, algodão, fertilizantes, açúcar, café, gesso e calcário. A estratégia inclui conexão com ferrovias como a FCA e a Fiol, além de ligação com portos baianos.
A gestão da hidrovia será transferida para a Codeba, estatal ligada ao governo federal, que ficará responsável pelos estudos técnicos e pelo modelo de concessão. Também estão previstos 17 pequenos terminais portuários em estados como Bahia, Pernambuco e Alagoas.
Hoje, cerca de 70% do transporte de cargas no Brasil depende das rodovias. O governo aposta que a retomada do São Francisco pode ajudar a reequilibrar essa matriz e reduzir gargalos históricos de infraestrutura.
*Com informações de Governo Federal