Governo de Pernambuco paga R$10 milhões em trens que custariam R$3 milhões

Jesse Lisboa | Redação PE – 

No processo de privatização do Metrô do Recife, os trens usados serão comprados pelo Governo de Pernambuco a preços superfaturados, denunciam metroviários e usuários do metrô.

Cerca de 400 mil passageiros usam o metrô do Recife por dia, passando pelas 4 principais cidades da Região Metropolitana do Recife (RMR). Desde setembro de 2024, o metrô teve sua operação suspensa aos domingos para realização de manutenções nas linhas Centro e Sul, porém, sem previsão de voltar a operacionar todos os dias. Inúmeros trabalhadores metroviários denunciam o sucateamento do metrô e alegam que o atual quadro da companhia de transporte é de completo abandono.

Neste mês de maio, o primeiro trem comprado pelo governo federal, vindo de Belo Horizonte (MG), deve chegar a Pernambuco. No entanto, a concessão do metrô do Recife à iniciativa privada continua apresentando irregularidades. Dessa vez, os seis trens que estão sendo adquiridos pelo governo federal vão chegar com preço muito acima do que realmente valem. Trens com mais de 40 anos e sem ar-condicionado, custando R$7 milhões a mais do valor real.

Processo de privatização

“Conforme informações constantes do processo, o valor contábil líquido estimado de cada trem encontra-se na ordem de R$3 milhões, em função da depreciação acumulada registrada nas demonstrações contábeis da vendedora”, afirmam a Nota Técnica da análise econômico-financeira para aquisição dos seis trens de BH. A nota constata que o valor de cada trem seria de exatos R$7.437.625,00, somando os R$3 milhões líquidos e serviços de restauração por se tratarem de trens ultrapassados. Ainda foi analisado pela CBTU aumentar o valor para R$10 milhões, pois o valor de aproximados R$7,5 milhões não seriam necessários para custear todos os reparos nas sucatas adquiridas pelo Governo Federal.

O projeto de privatização, além de investir R$60 milhões em trens “seminovos”, segundo o Governo Federal, vai entregar o serviço público para iniciativa privada por 30 anos. “O processo possui gigantescas falhas em relação a como se comportará a tarifa. Ficou muito claro que quem fiscalizará essa empresa, caso o processo de concessão ocorra, será uma empresa contratada pela própria concessionária, o que é um escárnio — ela nunca dirá que o serviço está ruim.”, declara Thiago Mendes, vice-presidente do Sindmetro-PE em entrevista ao jornal A Verdade.

O sucateamento é planejado

Assim como todo processo de concessão para iniciativa privada, os governos da burguesia vendem os serviços públicos a partir do sucateamento projetado. A cada dia que passa, os 400 mil passageiros se deslocam para seus locais de trabalho, sofrendo das péssimas condições do transporte, com constantes quebras, sem ventilação adequada, superlotação, atrasos, entre outros problemas.

Durante a última campanha presidêncial, Lula havia prometido aos metroviários que tiraria o metrô do Recife do pacote de privatizações, projeto que vinha sendo articulada pelo governo Bolsonaro. Mas não foi isso que vimos na prática. A governadora Raquel Lyra (PSD) seguiu com seu projeto privatista no estado, com apoio do BNDES e, mesmo com as denúncias desses trens “seminovos”, a privatização continua a todo vapor.

Os metroviários protagonizaram greves no ano de 2025 na luta contra a privatização, pois é a paralisação o principal instrumento de luta da categoria contra o sucateamento programado e a entrega do patrimônio público à iniciativa privada. A paralisação foi desencadeada após um dos vagões do metrô do Recife pegar fogo, deixando toda a Linha Centro interditada. “Esse fato gravíssimo não pode ser tratado como um caso isolado ou como uma simples fatalidade. Ele é, na verdade, o resultado do descaso e do abandono do Governo Federal em relação ao Metrô do Recife e, consequentemente, do descaso e abandono para com a população que dele depende.”, destaca carta aos usuários do metrô de Recife assinada pelo Sindmetro-PE.

Os usuários e trabalhadores do metrô exigem investimentos públicos para a melhoria no sistema de transporte, pois é constante a falta de valorização dos bens públicos, em detrimento das privatizações que seguem a todo vapor, assim como no Metrô do Recife e da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com