Do pomar à garrafa: o plano da Timbaúba para transformar uva em R$ 500 milhões

Com mecanização no campo e novas bebidas, empresa do Vale do São Francisco acelera expansão no agroindustrial

 “Se nós queremos crescer, precisamos estar em todas as categorias. Vamos crescer 22% neste ano”, afirmou Sydney Tavares, CEO da Timbaúba, em entrevista à EXAME

O sertão de Pernambuco virou peça-chave na estratégia de crescimento da Timbaúba. Em Petrolina, no Vale do São Francisco, a empresa trocou a exportação de uvas de mesa pela produção de bebidas naturais e agora acelera um plano para ampliar presença no varejo brasileiro e avançar no exterior.

Depois de faturar R$ 172 milhões em 2025, a companhia projeta crescer 22% neste ano e alcançar R$ 210 milhões impulsionada pela expansão industrial e lançamento de novos produtos e chegar aos R$ 500 milhões até 2030.

“Se nós queremos crescer, precisamos estar em todas as categorias. Vamos crescer 22% neste ano”, afirmou Sydney Tavares, CEO da Timbaúba, em entrevista à EXAME.

A trajetória da companhia ajuda a explicar esse avanço. Fundada há 35 anos na fruticultura irrigada do Vale do São Francisco, a Timbaúba passou décadas produzindo uvas de mesa para exportação. Mas a empresa decidiu mudar o rumo do negócio ao perceber que o futuro poderia estar menos na fruta fresca e mais no valor agregado.

“Nós saímos da fruta de mesa e passamos a vender o suco dentro da garrafa”, disse o executivo. A mudança alterou completamente a operação agrícola da companhia. Ao trocar a uva de mesa por variedades destinadas à indústria, a Timbaúba conseguiu mecanizar praticamente toda a produção.

fazenda soma 2.500 hectares, sendo mil irrigados. Neles, a empresa produz suco de uva, água de coco e bebidas à base de açaí. “Na uva de mesa, existia uma pressão muito grande por estética e tempo. Hoje conseguimos colher e produzir durante o ano inteiro”, afirmou Tavares.

Hoje, a Timbaúba possui cerca de 6% do mercado brasileiro de sucos integrais e já figura entre as cinco maiores empresas do segmento no país.

O agro na empresa

A expansão da Timbaúba passa diretamente pela industrialização da produção agrícola. O que antes era exportado em caixas agora sai da fazenda em forma de bebidas prontas para consumo. A entrada definitiva no varejo aconteceu em 2017 e abriu espaço para a empresa crescer em todo o país.

Petrolina, inclusive, é um dos principais polos exportadores de frutas do Brasil. A cidade vende manga e uva para a União Europeia e Estados Unidos.

Hoje, São Paulo já é o principal mercado da companhia, embora o Nordeste ainda represente cerca de 40% do volume comercializado. Segundo o CEO, a empresa ainda está presente em menos da metade dos pontos de venda do Brasil, o que cria espaço para expansão sem necessidade imediata de ampliar área agrícola.

“A gente está em todos os estados, mas ainda existe muito espaço para crescer em distribuição”, afirmou.

Para sustentar o avanço, a Timbaúba planeja investir mais R$ 100 milhões nos próximos cinco anos. Os recursos serão destinados à renovação de áreas antigas, ampliação industrial e novas tecnologias no campo.

Parte dessa estratégia passa pela entrada em novas categorias. A empresa prepara o lançamento, em São Paulo, de uma nova linha de bebidas prontas para consumo, estreando no segmento de refrescos.

O argumento é de que as famílias estão optando por substituir sucos por bebidas de fruta que caibam no bolso. A expectativa é de que a marca represente 5% do faturamento já em 2026 e alcance participação de até 30% da receita da empresa nos próximos cinco anos.

Japão e Ásia

O mercado externo também ganhou importância na estratégia da empresa. Atualmente, as exportações representam cerca de 10% da receita. A Timbaúba já vende produtos para América do Norte, Europa, África e Ásia. O Japão se tornou uma das principais vitrines internacionais da companhia.

Primeiro, a empresa exportou suco integral de uva em garrafa de vidro. Depois, passou a embarcar bebidas à base de açaí produzidas no próprio Vale do São Francisco.

“O Japão é um belo cartão de visita para abrir outras frentes na Ásia”, afirmou Tavares.

A China também entrou na rota recente da companhia. Agora, a empresa vê potencial para exportar a nova linha de refrescos principalmente para países da África e da América do Sul, mercados considerados estratégicos pelo perfil de consumo e potencial de expansão.

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