Por Rudolfo Lago/Correio da Manhã –
A essa altura, os investigadores da Polícia Federal (PF) avaliam que nem a delação do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, nem a de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, seriam essenciais para o andamento da apuração sobre o que se já se classifica como uma das maiores crises políticas e financeiras da República brasileira.
Segundo o diretor de Estratégia da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Flávio Werneck, o que já se descobriu a essa altura torna essas delações complementares. Seriam importantes para completar o “follow the money”, o “siga o dinheiro”, facilitar esse roteiro. Até agora, no entanto, segundo ele disse ao Correio Político, nem mesmo para isso a delação de Vorcaro serviria.
O que Daniel Vorcaro até agora se dispôs a falar, segundo Werneck, está muito aquém daquilo que a PF já sabe. Nada acrescentaria nem com relação ao modus operandi da organização criminosa nem sobre quem são os envolvidos, seus papeis e o alcance. No caso de Paulo Henrique Costa, diz o diretor da Fenapef, a delação está mais avançada. A PF a considera mais madura e, portanto, mais próxima de vir a ser homologada.
Flávio Werneck não confirma, mas no meio político de Brasília, há uma expectativa de que a delação de Paulo Henrique Costa saia na semana que vem. O diretor da Fenapef explica que não há muito como cravar uma data. O primeiro passo é a análise de que a delação serve para os investigadores. Isso já existe. Embora, segundo ele, tenha gerado desconfiança a saída de um dos advogados de Costa, Eugênio Aragão. Após isso, é preciso que o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, homologue a delação.
Segundo Werneck, fonte importante de informações têm sido os celulares de envolvidos. Não apenas no caso Master, mas também no caso Marielle Franco. Os aparelhos do policial militar da reserva Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, apontaram um caminho de uso de emendas parlamentares para beneficiar ONG ligada aos irmãos Brazão.
“Peixe” foi um dos condenados pelo assassinato de Marielle. Os celulares mostravam que ele intermediou emendas para ONG suspeita de ter ligações com Chiquinho e Domingos Brazão, condenados como mandantes do assassinato da vereadora, o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio.
A tal ONG administraria uma escolinha de futebol, e para isso seriam as emendas. O suspeito é a intermediação de “Peixe”. Destinou-se R$ 240 milhões para essa ONG. Entre as emendas, uma de R$ 199 mil do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato de oposição à Presidência da República.
Por meio de sua assessoria, Flávio afirmou não ser papel do parlamentar auditar como suas emendas são utilizadas por terceiros. É, porém, mais um fator complicador. Para Flávio Werneck, fatores complicadores não apenas para ele. As investigações em curso no momento têm grande potencial explosivo.
Voltando ao Master, há uma grande curiosidade a respeito da existência de vídeos das famosas festinhas que dava Daniel Vorcaro, trazendo prostitutas de luxo estrangeiras, em uma casa de praia em Trancoso, na Bahia. Segundo Flávio Werneck, os tais vídeos existem, mas eles não têm grande importância na investigação.
Poderiam mais interessar ao interesse voyeurístico de alguns Eventualmente, poderão ajudar a medir graus de proximidade entre o banqueiro e seus convidados. Mas não são elementos capazes de apontar crimes, ilegalidades. Só serviriam para o desnecessário constrangimento eventual de pessoas.
Por isso, há uma grande preocupação na PF com vazamentos. Como aconteceram com os diálogos de Vorcaro com sua ex-noiva Martha Graeff. Vazamentos saíram da CPMI do INSS. Alguns de mero interesse privado. No caso da própria PF, envolvimento com vazamento de informações já afastaram cinco policiais.