Na diversidade populacional da Bacia do Rio São Francisco vivem 32 povos indígenas de diferentes etnias, em mais de 50 territórios espalhados por seis estados brasileiros: Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
Essas populações, estimada em 100 mil índios, estarão representadas no III Seminário dos Povos Indígenas da Bacia do Rio São Francisco, que acontece nos dias 18, 19 e 20 de julho, na aldeia Pataxó Barra Velha (a 200km de Porto Seguro, Sul da Bahia).
A expectativa do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco – CBHSF, organizador do encontro, é reunir cerca de 200 lideranças indígenas da bacia, além de representantes de povos de outros estados, como Espirito Santo, Ceará e Paraíba.
No seminário, estão previstas discussões referentes aos problemas de abastecimento de água que hoje afetam diversas regiões do Velho Chico e suas populações ribeirinhas, incluindo os indígenas. Além disso, o fortalecimento do Dia Nacional em Defesa do Velho Chico, os projetos de recuperação hidroambiental financiados com recursos da cobrança pelo uso da água em território aborígene e a criação de uma agenda interna dos povos indígenas completam a pauta do evento.
Segundo o coordenador da Câmara Consultiva Regional (CCR) do Submédio São Francisco, o cacique Uilton Tuxá, a escolha de Porto Seguro – mesmo não sendo um município da bacia do Velho Chico – se dá por questões de integração. “Queremos interagir com os povos indígenas do litoral e passar para eles a nossa luta em benefício do rio São Francisco”, disse. Na mesma semana, Porto Seguro sediará a Assembleia Geral da APOINME – Articulação dos Povos e Organizações indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo. “É uma oportunidade para mostrar o trabalho que vem sendo realizado pelo Comitê, junto aos povos indígenas”, afirmou o cacique.
Índios no Comitê – Além de Uilton Tuxá, que integra a Aldeia Tuxá – Rodelas/Bahia, o Comitê da Bacia do Rio São Francisco tem em seu colegiado outros três representantes indígenas: Iveraldo Pereira Junior (Aldeia Fulni-ô/Pernambuco); Ricardo de Campos (Aldeia Tingui-Botó/Alagoas); e Anália Aparecida da Silva (Aldeia Tuxá – Pirapora/Minas Gerais). Entre as tribos que habitam a bacia do velho Chico estão: Xucuru, Tuxá, Aranã, Pankararu, Tingui-Botó e Fulni-ô.