Três em cada quatro políticos eleitos pelo PL em outubro ignoraram a carta em que o senador Flávio Bolsonaro, derrotado no segundo turno da eleição presidencial, alega fraude nas urnas e se declara o “verdadeiro presidente eleito”. Dos 155 nomes do partido eleitos para o Congresso e para os governos estaduais, 117 (75%) não se manifestaram sobre o documento, e 38 compartilharam ou defenderam o conteúdo. A baixa adesão amplia o isolamento de Flávio dentro da direita.
Os números são de um levantamento do jornal O Globo. Segundo a reportagem, dirigentes do PL tentam convencer o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro a abandonar a tese de fraude, já que não há nenhum indício de que ela tenha ocorrido. Para essas lideranças, insistir no tema atrapalha a atuação da oposição, desgasta a imagem do partido e pode provocar reações das instituições.
A posição dos dirigentes vai na mesma linha do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que na segunda-feira (26) reconheceu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio está nos Estados Unidos e planeja ir a Washington, capital do país, na próxima semana, para iniciar conversas diretas com integrantes do governo de Donald Trump. Segundo O Globo, o senador desembarcou em Miami depois de uma operação de saída do Brasil que teve apoio de integrantes dos governos Trump e de Javier Milei, da Argentina.
A carta foi divulgada depois que Flávio deixou o país, apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse os passaportes.