UM ESPETÁCULO DE HORROR INSTITUCIONAL LAMENTÁVEL

Por Rinaldo Remígio*

Será que podemos chamar de “barbárie institucional” o que assistimos ontem no plenário do Supremo Tribunal Federal?

Depois de horas de sessão, nada de concreto foi decidido diante de acusações graves — ainda que, é indispensável ressaltar, sejam apenas suspeitas que precisam ser devidamente investigadas, com respeito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.

O que a sociedade esperava era serenidade, transparência e uma resposta institucional. No entanto, o que presenciou foram ministros da mais alta Corte do país elevando o tom, trocando acusações, interrompendo uns aos outros e, em determinados momentos, demonstrando falta de respeito até mesmo para com quem presidia a sessão.

Divergências jurídicas são naturais e necessárias em um tribunal. O que não se pode aceitar é que o debate abandone o campo das ideias e assuma contornos de confronto pessoal. Os ministros do Supremo não atuam ali como cidadãos comuns discutindo em uma praça; representam uma das instituições mais importantes da República e, por isso, devem dar exemplo de equilíbrio, respeito e responsabilidade.

Mesmo quem conhece apenas um pouco do Direito — ou até o brasileiro completamente leigo em questões jurídicas — pôde perceber que algo estava profundamente errado. Alguns ministros, penso eu, adotaram naquela sessão uma postura incompatível com a dignidade e a responsabilidade dos cargos que ocupam.

A ministra Cármen Lúcia, reconhecendo a gravidade do episódio, pediu desculpas ao povo brasileiro. Seu gesto demonstra humildade e merece ser respeitado. Mas será que a sociedade aceitará apenas um pedido de desculpas? Pedir desculpas é importante, porém não resolve o problema, não esclarece as suspeitas e tampouco recupera, por si só, a confiança abalada.

A população não deseja condenações antecipadas. Deseja investigação séria, imparcialidade, transparência e respostas. Ninguém pode estar acima da Constituição, assim como ninguém deve ser julgado previamente sem provas.

Até quando continuaremos assistindo a esse descaso? Até quando as controvérsias processuais continuarão adiando o necessário enfrentamento dos fatos? E até quando a sociedade brasileira terá de esperar para saber a verdade?

O Supremo Tribunal Federal precisa ser preservado, mas preservar uma instituição não significa silenciar diante de seus erros. Pelo contrário: significa exigir que seus integrantes estejam à altura da missão constitucional que receberam.

A República é maior do que qualquer ministro. A Constituição é maior do que qualquer tribunal. E a sociedade brasileira merece respeito e respostas!

*Professor universitário aposentado, administrador, contador e mestre em economia!

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