PF amplia investigação da Operação “Vassalos” sobre suposto esquema com emendas parlamentares em Petrolina

Redação O Antagonista –

Corporação apura possível direcionamento de recursos federais para obras de pavimentação envolvendo a família Bezerra Coelho

A Polícia Federal (PF) investiga novos desdobramentos da Operação Vassalos, deflagrada em fevereiro, que teve como alvos o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho e o deputado federal Fernando Filho (União Brasil), ambos filhos do ex-senador.

Na primeira fase da operação, foram autorizados 42 mandados de busca e apreensão.

Parte do material recolhido já passou por perícia. Ainda assim, investigadores buscam novas evidências sobre um suposto esquema de desvios envolvendo emendas parlamentares destinadas à Prefeitura de Petrolina, no interior de Pernambuco.

Durante as apurações, a PF identificou indícios da atuação de uma organização criminosa que teria utilizado emendas parlamentares, termos de execução descentralizada (TEDs) e influência política sobre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) para direcionar recursos federais ao município e beneficiar uma empreiteira ligada a familiares do grupo político dos Coelho.

A suspeita dos investigadores é de que os recursos federais tenham sido concentrados em contratos de pavimentação executados posteriormente pela Liga Engenharia.

De acordo com a PF, entre 2017 e 2021, Petrolina recebeu R$ 143,2 milhões em repasses federais por meio de convênios com o antigo Ministério do Desenvolvimento Regional e a Codevasf. Desse total, R$ 135 milhões — cerca de 94% — foram destinados a obras de pavimentação e recapeamento de vias públicas.

A polícia afirma que a Liga Engenharia se tornou a principal beneficiária desses contratos. Segundo os investigadores, a empresa recebeu mais de R$ 100 milhões em empenhos da Prefeitura de Petrolina desde 2017, sendo ao menos R$ 22 milhões provenientes de recursos transferidos pela Codevasf.

Após a deflagração da operação, agentes da PF realizaram perícias em celulares, contratos, documentos, itens pessoais e outros materiais apreendidos.

Integrantes da corporação envolvidos no caso apontam a necessidade de aprofundar a investigação sobre a suposta engenharia de transferência de recursos públicos atribuída ao grupo político ligado à família Bezerra Coelho.

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