Por Fernando Duarte –
ACM Neto revisita o passado para tentar pregar o futuro. Foi esse o tom adotado pelo agora candidato ao governo da Bahia, homologado em convenção realizada nesta quarta-feira (22). Os aliados tecerem críticas mais diretas aos adversários, porém o ex-prefeito da capital baiana adotou uma postura mais emotiva e com a promessa de “mudança com segurança”, incorporada como slogan da campanha – ainda que tenha criticado a situação da Bahia. Com referências ao avô, o ex-senador Antônio Carlos Magalhães, à família e aos amigos, ACM Neto se apresentou como uma alternativa ao que ele classificou como “pesadelo” vivido pelos baianos.
Em seu discurso, o candidato do União Brasil focou em dois pontos que devem permear a tentativa de chegar ao Palácio de Ondina em outubro: saúde e segurança. Os demais integrantes da chapa, o candidato a vice Zé Cocá (PP) e os candidatos ao Senado, João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos), também seguiram o mesmo caminho. Percebe-se o esforço para tentar um debate “propositivo”, ainda que sofra com repetições temáticas de outras campanhas eleitorais passadas – inclusive a de 2022, quando Jerônimo Rodrigues (PT) foi eleito.
A convenção teve algumas indiretas. A ausência de prefeitos por “medo de retaliação” foi algo presente. A promessa não concretizada da ponte Salvador x Itaparica virou chacota. As aproximações após o último pleito, a exemplo de João Roma e do prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (União), também foram lembradas. O esforço para mostrar união foi enfático em diversas falas, reforçando uma coesão que não esteve presente quatro anos atrás – Roma foi candidato ao governo e, no segundo turno, aderiu parcialmente ao projeto de ACM Neto, com quem tinha rompido no ano anterior. Tudo dentro do espírito de uma campanha eleitoral.
Para quem esperava um tom altamente beligerante, ACM Neto foi discreto. Atacou aquilo que ele considerou problemático, mas limitou a personificação. Tratou Jerônimo como continuidade das administrações anteriores e como um “modelo de gestão” que precisa mudar, mas adjetivou-o como covarde no enfrentamento aos problemas.
Em diversos momentos, o ex-prefeito soteropolitano usou o artifício do ufanismo, algo extremamente presente no antigo carlismo, de quem o ex-prefeito bebeu diretamente na fonte. Isso não quer dizer que ele tenha incorporado todos os elementos do movimento político liderado pelo avô.
A maturidade política do candidato a governador ficou explícita na forma como se apresentou. Até aqui, ACM Neto mostrou ter aprendido bastante com a derrota de 2022. Se esse aprendizado vai resultar em vitória no próximo mês de outubro, depende muito mais do eleitor do que apenas dele.