Kassab não aposta em Flávio

Na avaliação do PSD, a pesquisa Real Time Big Data, divulgada ontem, mostra que o governador do Paraná, Ratinho Jr, largou na frente na disputa interna com os demais governadores do partido, Ronaldo Caiado, de Goiás, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, pelo posto de candidato presidencial da legenda nas eleições de outubro.

Agora, além do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula também aparece empatado, dentro da margem de erro, com Ratinho Jr num eventual segundo turno. Segundo a pesquisa, Lula teria 43% contra 39% do governador paranaense em um eventual segundo turno. Nas simulações de primeiro turno, Ratinho Jr também tem vantagem sobre Caiado e Leite.

O empate num eventual segundo turno foi considerado dentro do PSD um acerto quanto à estratégia de colocar um nome na corrida presidencial. Como fora acertado, o nome seria aquele que tivesse melhor desempenho até o momento da definição. E, segundo interlocutores do PSD, o comandante do partido crava: o próximo presidente ou será Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um quarto mandato ou um dos nomes colocados pelo PSD.

Kassab tem dito não acreditar que Flávio Bolsonaro, apesar da largada que impressionou, tenha fôlego para seguir competitivo até o final. Um dos seus problemas é a estratégia do bolsonarismo de limitar as alianças regionais. Incluindo aí mesmo possíveis conversas com o próprio PSD. Mas isso talvez não fosse o maior problema. Em 2018, o pai de Flávio, Jair Bolsonaro, ganhou sem ter palanques regionais. Para além disso, há a possibilidade de desgaste, quando forem exploradas as fragilidades de Flávio e do governo de seu pai.

Em entrevista ao programa Canal Livre no domingo (1), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse não considerar que Jair Bolsonaro seja “uma pessoa normal”. E mencionou como exemplo as atitudes do ex-presidente na pandemia. “O Flávio é um cara equilibrado”, disse Valdemar. Como, porém, Flávio reagirá quando for confrontado com tais declarações?

A pessoa, então, que ungiu a candidatura da direita e vai acertando a formação dos palanques regionais em cada estado não é “normal”? É a alguém anormal que cabe tal definição? Para além disso, talvez haja as próprias fragilidades de Flávio: denúncia de rachadinha, compra de casa de luxo com dinheiro vivo…

Isso significa que Kassab já definiu mesmo que terá um candidato do PSD até o final na corrida presidencial? Não necessariamente. Significa que Kassab exclui uma eventual aliança com Flávio. Até porque as tais anotações do senador que vazaram mostram que foi ele antes quem excluiu essa possibilidade.

O que não acontece com Lula, que mantém conversas constantes com Kassab. Segundo disse aqui no Correio da Manhã Tales Faria, essas conversas incluem até mesmo a possibilidade de Gilberto Kassab vir a ser o candidato a vice-presidente na chapa de Lula na sua tentativa de reeleição.

No seu jeito peculiar de praticar o bicanoísmo (manter um pé em cada canoa), Kassab não cogita que uma eventual candidatura própria à Presidência feche o partido a apoiá-la nos estados. Tudo irá depender dos acertos regionais, que continuarão sendo respeitados. Ele mesmo apoiará a reeleição de Tarcísio de Freitas em São Paulo.

E o PSD estará com Lula nos estados onde tal acerto já vem sendo sacramentado. Caso do Rio de Janeiro, na candidatura ao governo do prefeito do Rio, Eduardo Paes. Ou da Bahia. Talvez até de Minas. Até porque o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), coordenou no estado a campanha de Lula.

É uma salada que mantém o PSD de Kassab no jogo. No caso das anotações de Flávio, as reações no partido é que foram demonstração de inabilidade. O PSD tem o maior número de prefeitos. Calcula que terá candidato competitivo em dez estados e eleger mais de 100 deputados. É prudente descartá-lo?

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