Eleições 2026: Raquel já contava com Miguel candidato ao Senado na sua chapa. E agora?

Em nota, os irmãos Fernando Bezerra Filho e Miguel Coelho, filhos do ex-senador Fernando Bezerra Coelho, todos objetos de uma operação de busca e apreensão pela Polícia Federal envolvendo desvios de emendas federais, afirmaram ser vítimas de uma ação com viés político.

Em Brasília, no entanto, o que tem vazado para a mídia tem origem lá atrás, quando o jornal O Globo trouxe em primeira mão que a Federal estava investigando denúncias graves de uso indevido de recursos repassados a Prefeitura de Petrolina por meio de emendas parlamentares.

Isso se deu entre agosto e setembro do ano passado. Nunca mais o Globo tratou do assunto, que sumiu do noticiário. Ontem, entretanto, o que o jornal carioca havia antecipado voltou como um míssil, com um poder devastador imprevisível. As consequências da operação da PF, presente em todos os meios de comunicação do País, são devastadoras para todos do clã Coelho, liderado pelo ex-senador Fernando Bezerra Coelho.

Como este já pendurou as chuteiras, os estilhaços ferem fortemente Fernando Filho (UB), deputado federal e candidato à reeleição, e Miguel Coelho (UB), ex-prefeito de Petrolina, pré-candidato a senador. Aliás, há dez dias, este blog apurou que a governadora Raquel Lyra (PSD) convidou formalmente Miguel para sair candidato ao Senado na chapa dela. A notícia chegou ao conhecimento de João Campos, adversário de Raquel nas eleições que se aproximam.

Quando Lula esteve no Galo da Madrugada, no sábado de carnaval, tomou conhecimento do convite. Miguel Coelho foi visto no camarote oficial do Galo cumprimentando o chefe da Nação. Quem viu a cena, espalhou que Miguel falou para Lula que, candidato ao Senado, iria trabalhar pela reeleição dele.

Miguel quer uma vaga na chapa de João, mas Raquel esteve com ele e jogou pesado: ao convidá-lo para sair candidato na sua chapa, argumentou que a federação União Progressista, a junção poderosa do PP, de Eduardo da Fonte, com o União Brasil, de Miguel, estaria com a reeleição dela. Isso teria sido objeto de um entendimento nacional, em Brasília, com os caciques da federação União Progressista.

No plano nacional, isso ainda não está definido, mas Raquel argumentou também para Miguel que não haveria espaço na chapa de João para ele disputar o Senado, porque as duas vagas seriam de Humberto Costa (PT) e Sílvio Costa Filho (Republicanos), o que está ainda apenas na seara da especulação. Soube que Eduardo da Fonte, consultado, não aceitou as ponderações de Raquel.

Também não se curvou às pressões dela para anunciar a chapa com os candidatos ao Senado de uma mesma federação, no caso ele, que resiste em sair pela coligação da governadora, e Miguel. Nos últimos dias, Raquel pressionou o presidente do PP, Eduardo da Fonte, a aceitar convite dela para também disputar o Senado, uma vez que estão em disputa duas vagas para a Casa Alta nas eleições deste ano.

Dudu da Fonte resiste, primeiro porque é muito cedo ainda, e segundo porque não vê sentido na formação de uma chapa com dois candidatos ao Senado integrantes de uma mesma federação. A chamada União Progressista PP-União Brasil é uma federação cobiçada pelos dois lados, por Raquel e por João, porque tem seus tentáculos: o maior fundo eleitoral, o maior tempo de TV e as maiores bancadas na Câmara e no Senado.

Por isso, Raquel, em baixa nas pesquisas para emplacar a reeleição, queria criar um fato novo. Atraindo a federação, partiria forte para viabilizar seu segundo mandato. Em política, porém, as coisas mudam como a velocidade das nuvens, como dizia o pragmático Magalhães Pinto, ex-governador mineiro.

A pergunta de um milhão de dólares: depois da operação Vassalos, a governadora vai insistir nas tratativas para ter Miguel candidato ao Senado em sua chapa?

Blogdomagno

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