Eleições 2026: Após um Carnaval de gestos políticos, corrida pelo governo de Pernambuco começa de fato

A governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), possíveis adversários na eleição para o governo de Pernambuco em outubro, encerraram o Carnaval com gestos políticos que extrapolaram o ambiente festivo e reforçaram a disputa antecipada pelo Palácio do Campo das Princesas.

Ainda no sábado de Zé Pereira, a presença de ambos ao lado do presidente Lula no Galo da Madrugada simbolizou o esforço simultâneo para disputar a atenção do presidente e ocupar espaço ao lado do petista, consolidando o apoio do chefe do Executivo para o pleito.

A ausência de qualquer definição pública de apoio por parte de Lula manteve o cenário aberto e, ao mesmo tempo, conveniente para o Palácio do Planalto, que segue sendo cortejado pelos dois principais ativos políticos de Pernambuco.

Nas festas locais, a governadora apostou em uma estratégia de amplitude territorial ao longo da folia. A agenda incluiu visitas a polos tradicionais do Carnaval do litoral ao Sertão, com passagens por cidades como Bezerros, Triunfo, Pesqueira e Aliança, numa tentativa de reforçar a presença estadual e dialogar com bases políticas fora da Região Metropolitana do Recife.O gesto mais simbólico, contudo, veio ainda na abertura da festa. Logo após participar do início oficial do Carnaval de Olinda, ao lado da aliada Mirella Almeida (PSD), Raquel desembarcou na Rua do Bom Jesus, no Recife Antigo, reduto de Campos. A passagem pela área do prefeito, que resultou em fotos ao lado de apoiadores, foi um movimento calculado para marcar território político.

O prefeito, por sua vez, concentrou esforços nas agendas do município que administra, um dos principais polos carnavalescos do estado. A presença constante nos eventos e polos da capital garantiu visibilidade diária e reforçou a associação direta entre a gestão municipal e o sucesso da festa, estratégia que também dialoga com o calendário eleitoral.

O troco político ocorreu quando João Campos visitou a Olinda governada por Mirella Almeida, a convite do ex-vereador Vinicius Castello. A circulação pelas ruas do Sítio Histórico e os registros ao lado de aliados foram lidos como um gesto de reciprocidade política à visita da governadora ao Recife. Apesar disso, o prefeito evitou ampliar a agenda para fora da Região Metropolitana, preservando a atuação na capital.

O indicativo mais direto sobre o futuro eleitoral veio pelas redes sociais. Em vários vídeos diferentes, João Campos aparece balançando a bandeira de Pernambuco e cantando repetidamente o verso “Tu vens”, da música Anunciação, de Alceu Valença, gesto interpretado por apoiadores como sinalização de candidatura ao governo do estado.

Os pré-candidatos ao Senado também acompanharam a dinâmica dos principais polos políticos durante o Carnaval. A estratégia foi de alinhamento com os nomes que disputam o governo, participando das agendas públicas e reforçando vínculos em um cenário ainda marcado pela indefinição das chapas e pelo elevado número de postulantes, o que deve resultar em cortes e rearranjos ao longo dos próximos meses.

Um novo momento da disputa

O fim do Carnaval inaugura uma nova fase da disputa. A partir de agora, as agendas deixam o caráter institucional típico da folia e passam a assumir contornos mais claramente eleitorais, com movimentos voltados à construção de alianças e consolidação de palanques.

O prefeito do Recife enfrenta um prazo decisivo para oficializar eventual candidatura. Para disputar o governo, João Campos precisará deixar o cargo até o dia 4 de abril, respeitando o período de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral. Caso confirme a saída, o vice-prefeito Victor Marques (PCdoB), cuja imagem vem sendo fortalecida nos últimos meses, deverá assumir a gestão municipal.

A governadora Raquel Lyra, por outro lado, disputa a reeleição com a vantagem de permanecer no cargo durante a campanha. A legislação permite a continuidade no exercício do mandato, mas impõe limites à participação em inaugurações de obras públicas a partir de julho, o que deve deve resultar numa concentração de entregas e anúncios nos próximos quatro meses.

O calendário partidário também passa a pressionar as articulações. Entre março e abril ocorre a janela partidária, período de um mês em que deputados federais, estaduais e distritais podem trocar de legenda sem risco de perda de mandato por infidelidade partidária, etapa considerada estratégica para a formação das chapas majoritárias.

As convenções partidárias terão início em 20 de julho, quando partidos e federações oficializam candidaturas e definem alianças. O registro das candidaturas deverá ser feito até 15 de agosto, enquanto a campanha eleitoral começa oficialmente no dia 16 do mesmo mês, data a partir da qual os candidatos poderão pedir votos de forma aberta.

O calendário eleitoral avança rapidamente após essa etapa. No fim de agosto, passam a ser exibidos os guias eleitorais em rádio e televisão, ampliando a disputa pela narrativa pública.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e, caso nenhum candidato alcance a maioria necessária, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro, consolidando o desfecho de uma corrida que já começou a ganhar forma nos bastidores desde os gestos políticos do Carnaval. (Via: Jc)

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