Pressão interna aumenta para que ministro se declare suspeito em investigação que o cita, mas ele dobra a aposta e cria constrangimento sem precedentes na Corte
O Supremo Tribunal Federal (STF) vive um impasse institucional após o ministro Dias Toffoli insistir em se manter como relator do Caso Master, no qual é citado. A situação levou o ministro Edson Fachin a convocar uma reunião de emergência com os pares para debater a possível suspeição de Toffoli, um movimento que, na análise do âncora da BandNews FM, Rodrigo Orengo, empurra a Corte para uma crise sem precedentes.
Segundo ele, o que torna a situação tão delicada é a quebra de uma tradição na Corte. Historicamente, a decisão de se afastar de um caso por impedimento sempre coube ao próprio magistrado.
Ao se recusar a seguir esse caminho, avalia Orengo, Toffoli obriga o colegiado a confrontar uma questão prevista no regimento, mas nunca antes colocada em prática: a deliberação sobre o impedimento de um par.
A origem da crise e a escalada da tensão
O fato central da polêmica é a recusa de Toffoli em deixar o caso mesmo após a Polícia Federal ter apontado sua citação em conversas que poderiam indicar um possível pagamento. Oministro solicitou que todas as mensagens em que seu nome aparece sejam enviadas a ele, na sua condição de relator.
Para Rodrigo Orengo, a Corte foi empurrada para uma situação limite.
“O Supremo enfrenta um desafio que não tem precedente, porque, historicamente, o Supremo nunca afastou um ministro. Agora, são obrigados a discutir esse assunto porque o ministro insiste em permanecer à frente do caso”, avalia.
O jornalista lembra que os questionamentos sobre a conduta de Toffoli, no entanto, não são recentes.
“A controvérsia começou no momento em que o ministro decidiu avocar o caso para o Supremo com base em uma citação considerada lateral de um deputado”, explica Orengo, que também aponta que a condução do processo foi criticada por delegados da Polícia Federal, que acusaram o ministro de usar métodos “não usuais”.
Pressão, divisão e um futuro incerto
A gravidade do momento, ressalta Orengo, foi sublinhada pela atitude do ministro Edson Fachin, que chegou a suspender um julgamento para conseguir reunir os colegas. Nos bastidores, a pressão por uma saída negociada aumenta, mas a sinalização atual não aponta para um recuo de Toffoli.
“Há uma divisão dentro da corte. Uma ala majoritária do Supremo entende que o ministro, ele mesmo, deveria se preservar e preservar a instituição. E há pressões nesse sentido. Mas, agora, a palavra está com o ministro Dias Toffoli”, avalia o âncora da BandNews FM.
A âncora da BandNews FM e do Jornal da Band Adriana Araújo destaca o contexto delicado, em um ano de eleições e com a imagem do STF já pressionada. A insistência de Toffoli, conclui Orengo em sua análise, joga mais combustível no debate sobre o poder e os limites dos magistrados. O desfecho da reunião convocada por Fachin definirá os próximos passos desta que já é uma das maiores crises da história recente do Judiciário brasileiro.