O xadrez político de Pernambuco para 2026 desenha um cenário de alta voltagem, onde alianças nacionais e sobrevivência regional colidem. No centro da disputa pelas duas vagas ao Senado, o Partido Progressistas (PP) e o PSB de João Campos articulam movimentos que podem redesenhar as forças no estado.
O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, embora mantenha um discurso de oposição no plano federal, sinaliza uma aproximação pragmática com o PT. O objetivo principal é garantir sua própria reeleição ao Senado pelo Piauí, onde busca uma neutralidade do Palácio do Planalto em troca de apoios do PP em estados estratégicos como Maranhão e Pernambuco.
Em solo pernambucano, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) defende uma tese audaciosa: marchar ao lado do senador Humberto Costa (PT) em uma chapa conjunta para o Senado.
A Tese: Unir a capilaridade do PP ao recall político de Humberto, consolidando dois nomes governistas federais em uma única frente.
O Obstáculo Político: Para viabilizar esse acordo com o grupo de João Campos, Eduardo da Fonte precisaria romper com o governo de Raquel Lyra (PSDB), entregando os espaços e cargos que o PP ocupa atualmente na gestão estadual.
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), lidera a construção da chapa majoritária da Frente Popular para o Governo do Estado, tendo Humberto Costa como o nome consolidado para a primeira vaga ao Senado. Contudo, a segunda vaga transformou-se em um “engarrafamento” de aliados de peso:
Humberto Costa (PT): Candidato natural à reeleição.
Marília Arraes (Solidariedade): Nome de forte apelo popular que busca retornar ao protagonismo majoritário.
Silvio Costa Filho (Republicanos): Atual Ministro de Portos e Aeroportos, com trânsito livre em Brasília e no Recife.
Miguel Coelho (União Brasil): Peça-chave para a entrada da Federação União Progressista (PP/União Brasil) no palanque de João Campos.
Para acomodar Eduardo da Fonte e o PP, João Campos teria que “defenestrar” três desses aliados históricos ou estratégicos, o que geraria um custo político elevado e o risco de empurrar lideranças para o palanque de Raquel Lyra.
A definição desse jogo depende agora da capacidade de Miguel Coelho em unificar a federação em torno de João Campos e da disposição de Eduardo da Fonte em abdicar do conforto do governo estadual pelo risco de uma disputa majoritária incerta