Rebeca Silva/Blogdomagno
Depois da fuga em massa de mais de cem detentos do Complexo Curado que explodiram parte do muro do presídio e de admitir que há falhas internas e externas na segurança do sistema prisional do Estado, o governador Paulo Câmara (PSB) agora tem outra bomba para desarmar. A um dia da abertura do carnaval de Olinda e a dois dias da do Recife, os policiais civis de Pernambuco anunciaram que vão cruzar os braços a parir da 0h do sábado de Zé Pereira.
O anúncio é uma forma de pressionar o governo a enviar para Assembleia Legislativa de Pernambuco, ainda nesta semana, o projeto de lei que prevê a revisão de Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) da categoria, com reajuste de 1,5% para 2% ao ano. No acordo firmado em dezembro do ano passado o governo se comprometeu a encaminhar a proposta aos deputados na abertura o ano legislativo.
Em entrevista ao blog o secretário Estadual de Administração, Milton Coelho, fez duras críticas ao Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol/PE) e colocou em xeque a legalidade do movimento. Para ele, a greve é resultado do interesse político da direção sindical. “Eles querem constranger a população e chantagear o governo. O governo tem confiança de que os servidores da Polícia Civil não vão aceitar ser massa de manobra da direção”, afirmou Coelho. Segundo ele, da negociação com a categoria saíram sete pontos. Um deles, é sobre o PCCV. “O acordo fala na abertura do ano legislativo, mas não fala em dia. Enviaremos à Assembleia no dia 15 de fevereiro. Não adianta enviar agora porque ele não vai ser votado”, disse para acrescentar que a adequação dos percentuais só entra em vigor a partir de abril.
De acordo com o secretário, caso a greve seja de fato deflagrada, o Executivo está buscando alternativas para substituir os policiais que aderirem à paralisação. Na esfera judicial, também articula uma ação no Judiciário para decretar a ilegalidade da greve. “Não há fundamento real que a justifique a não ser o desejo político. Tudo que foi acordado está sendo cumprido”, finalizou. Hoje à tarde Coelho enviou um ofício ao Sinpol reafirmando o envio do projeto à Casa Joaquim Nabuco no próximo dia 15.
No entanto, para o presidente da categoria, Áureo Cisneiros, o governo deveria ter enviado a proposta de reajuste na última segunda-feira, quando os parlamentares voltaram do recesso de fim de ano e retomaram as atividades legislativas. Hoje ele passou o dia em campo para mobilizar policiais a aderir à greve. Amanhã, às 15h, haverá um protesto na frente do Palácio do Campo das Princesas. Sobre a legalidade da paralisação, Cisneiros disse estar dentro da lei visto que será dado um prazo de 72h para decretar a greve e que 30% do efetivo (disposto nas delegacias de plantão) continuará em serviço, conforme prevê a legislação.